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Paulo Guedes

Deputado federal em segundo mandato e ex-presidente da Comissão de Tributação e Finanças da Câmara dos Deputados. Exerceu três mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (2007-2019). Exerceu ainda o cargo de coordenador estadual do Dnocs (2003) e secretário de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (2015)

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Brasil entre avanços sociais e a armadilha do retrocesso

Contra uma oposição sem projetos e cercada por suspeitas, queremos seguir com a inclusão que muda a vida do povo brasileiro

Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
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A pesquisa Atlas/ Bloomberg do mês de maio traz um dado importante da percepção dos brasileiros com os riscos sobre os quais o país se depara na eleição presidencial deste ano. Quase metade dos eleitores diz ter medo e preocupação com a eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (entre as mulheres são 51,2%). A apreensão dos brasileiros está relacionada à polarização política, obviamente, porque um lado teme a vitória do outro. Mas não é só isso: o número aponta também para a armadilha que a volta do bolsonarismo ao poder representa para o futuro do Brasil.

O que a pesquisa não diz, mas está subentendido, é que a intimidade fraterna revelada nos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro agrava a percepção de que eventual vitória do bolsonarismo contribua para que o crime organizado espalhe seus tentáculos na esfera federal, a exemplo do que já acontece com o Rio de Janeiro e em municípios do interior de São Paulo e outros Estados. 

A carreira política de Flávio Bolsonaro é pródiga em exemplos da proximidade entre política e o crime, vide sua relação com o ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, a quem o Ministério Público acusou de ser o líder do "Escritório do Crime" - uma das milícias mais violentas do Rio de Janeiro envolvida em assassinatos por encomenda. Sem falar nos desvios de recursos públicos (rachadinha) durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio.

Flávio evoluiu seu modus operandi: saiu do pedágio nos salários de assessores parlamentares até chegar nas atuais transações nebulosas com Vorcaro. O que o Filho 01 de Bolsonaro prometia em troca? Facilidades num eventual governo da família ou mesmo o indulto prévio para o criminoso número 1 do país? 

A família Bolsonaro, sempre foi muito ávida por dinheiro. O tom suplicante e subserviente com que Flávio pede R$ 134 milhões ao mafioso dono do Banco Master serve de alerta para o país. Vorcaro é acusado pela Polícia Federal de aliciar servidores públicos ativos, políticos e até ministros da Suprema Corte, além de ser o responsável pelo maior escândalo financeiro da história do país. Sua aproximação com os bolsonaros certamente não tem nada de mecenato – como indica o esforço para manter a transação sob sigilo absoluto.

Já diria o saudoso José Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, “quem gosta muito de dinheiro deveria ficar longe da política". Flávio é reconhecido como operador financeiro da família Bolsonaro e faria melhor se continuasse com sua loja de chocolates – aquela em que o pico de vendas coincidia com dia do pagamento dos funcionários da Alerj.  

A amizade de Flávio Bolsonaro com gente sempre muito suspeita é grave, mas não é a única ameaça para o país caso se torne presidente da República. Impressiona a falta de projeto político do bolsonarismo 15 anos depois das primeiras manifestações desse agrupamento político de extrema direita no Brasil.

É igualmente assombroso constatar, nessa altura do campeonato, a submissão do conservadorismo nacional a uma família que nada legou de positivo para o Brasil.

A meu ver, em outubro, o país estará diante de uma escolha muito fácil, mas que, infelizmente, é distorcida pela polarização política que vivemos. Por um lado, oferecemos a continuidade do projeto de valorização do povo brasileiro, responsável por levar universidades para milhões de pessoas e programas sociais como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos, Farmácia Popular, Gás do Povo. 

Ao longo dos nossos mandatos, valorizamos o salário mínimo, reduzimos as taxas de desemprego a patamares inéditos e retiramos o Brasil do insidioso Mapa da Fome, além de pagar a dívida com o FMI e acumular sólidas reservas cambiais em dólares, o que blindou a economia nacional contra crises financeiras externas. São alguns exemplos, entre tantos, das transformações que o presidente Lula liderou no Brasil.

O que temos do outro lado? Ameaças à democracia e promessas não assumidas para o desmonte dos direitos sociais tão arduamente conquistados pelos trabalhadores brasileiros. O fato concreto é que a família Bolsonaro se apresenta para a terceira disputa presidencial sem a menor noção de como conduzir nosso Brasil.

Quais são as credenciais de Flávio Bolsonaro para administrar um país com imensos desafios? Zero. Exceto o fato de ser filho de quem é – o que não é lá grande coisa como demonstrou a desastrada presidência do pai. A família bolsonaro não tem projeto coletivo, sua luta obsessiva é pela manutenção do poder. Até aqui, o único projeto conhecido do senador é tirar o pai golpista da cadeia. Se eleito, provavelmente vai cumprir cegamente os desmandos do Jair. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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