China cresce 5% no primeiro trimestre, com força industrial e fraqueza no consumo interno
Exportações e indústria sustentam crescimento chinês diante de consumo fraco, analisa o colunista Paulo Gala
Os dados divulgados para o primeiro trimestre mostram que a economia chinesa cresceu 5%, levemente acima das expectativas do mercado. O principal destaque foi o desempenho da indústria, que avançou 5,7%, com forte impulso dos segmentos de alta tecnologia. O resultado reforça a capacidade do país de subir na escala tecnológica e consolidar sua posição como uma das principais potências industriais do mundo.
No setor externo, as exportações registraram crescimento expressivo de 15%, confirmando que o principal motor da economia chinesa continua sendo a combinação de produção industrial e inserção internacional. Esse padrão de crescimento segue baseado na expansão da capacidade produtiva e na colocação de bens industriais no mercado global, sobretudo em economias como Europa, Estados Unidos e, cada vez mais, países emergentes.
Por outro lado, os indicadores de demanda interna mostram sinais claros de fragilidade. As vendas no varejo cresceram apenas 1,7%, abaixo do esperado, enquanto o consumo per capita avançou 2,6%. Setores relevantes, como automóveis e eletrodomésticos, apresentaram desaceleração. O investimento também segue pressionado, com queda de 11% no setor imobiliário e retração do investimento privado, evidenciando a perda de dinamismo do motor doméstico.
O mercado de trabalho permanece relativamente estável, com taxa de desemprego em 5,4%, mas o ambiente de preços segue desafiador, com persistência de pressões deflacionárias. A combinação de demanda interna fraca e excesso de capacidade produtiva contribui para a continuidade da queda de preços em diversos setores.
Diante desse cenário, é plausível esperar uma desaceleração do crescimento ao longo do ano, especialmente considerando os efeitos de choques externos, como o aumento dos preços de energia. Ainda assim, uma expansão na faixa de 4% a 4,5% permanece robusta em termos comparativos internacionais, sobretudo para a segunda maior economia do mundo.
Por fim, os dados de comércio exterior mostram um avanço significativo na sofisticação das exportações chinesas ao longo da última década. Entre 2014 e 2024, os maiores crescimentos ocorreram em setores de alta complexidade, como equipamentos elétricos, veículos elétricos, química orgânica e produtos farmacêuticos. Esse movimento reforça o padrão histórico de desenvolvimento econômico: países que conseguem aumentar o valor agregado de suas exportações tendem a sustentar trajetórias mais consistentes de crescimento e aumento de renda.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


