Pepe Escobar: “bloqueio no Golfo é guerra contra a China”
Segundo Escobar, bloqueio atinge importações de petróleo e logística asiática
247 - O bloqueio no Golfo Pérsico representa uma ofensiva direta contra a China, segundo o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar, que avalia que a medida afeta o fluxo de energia e as cadeias logísticas globais. Para ele, a ação interfere no abastecimento de petróleo e pode gerar impactos amplos na economia internacional, especialmente nas nações asiáticas dependentes do Golfo.
Em transmissão no canal Pepe Café, no YouTube, Escobar afirmou que o movimento liderado pelos Estados Unidos ultrapassa o Irã e tem como foco principal a China. “Esse é um bloqueio tanto contra o Irã, mas principalmente contra a China. Esse é o X da questão”, declarou.
Segundo o analista, a operação altera diretamente os fluxos energéticos globais e afeta países que dependem do petróleo da região. Ele destacou que a medida “perturba os fluxos de energia, perturba o comércio, perturba toda a navegação transportando matérias-primas do leste para o oeste e do oeste para o leste”.
Escobar também afirmou que a dimensão do bloqueio vai além de uma disputa regional. “Esse é um bloqueio de petróleo que ameaça não só a China, mas uma grande parte do mundo multipolar que está nascendo”, disse.
De acordo com ele, a justificativa da medida foi explicitada por autoridades americanas. “O secretário do Tesouro americano disse diretamente que a partir de agora a China não vai poder mais receber petróleo do Irã. Ficou muito claro para o planeta inteiro”, afirmou.
O analista avalia que a ação tem potencial de escalar tensões globais, principalmente caso haja interferência direta sobre navios chineses. Ele questionou os possíveis desdobramentos: “Se a Marinha americana abordar um superpetroleiro chinês, o que vai acontecer? Eles vão sequestrar a tripulação? Vão desviar a rota? Se isso acontecer, é a Terceira Guerra Mundial”.
Escobar ressaltou que o impacto não se limita à China, atingindo também outras economias asiáticas. “Não só se traduz como uma guerra econômica contra a China, mas contra a maior parte das nações da Ásia que importam petróleo do Golfo Pérsico, incluindo Japão e Coreia do Sul”, disse.
Apesar da pressão, ele apontou que Pequim possui alternativas para mitigar os efeitos da medida. “A China tem várias possibilidades de fontes de energia. Eles não vão morrer de fome ou ficar paralisados”, afirmou, citando rotas alternativas e diversificação energética.
Ainda assim, o analista indicou que o cenário permanece instável. “Os chineses estão estudando cuidadosamente o que vai acontecer. Ninguém sabe o que pode acontecer e degringolar”, declarou.
Para Escobar, a situação atual representa uma mudança estrutural no equilíbrio global. “Todo mundo já sabe que esse é um projeto anti-China por definição”, concluiu.


