José Reinaldo Carvalho avatar

José Reinaldo Carvalho

Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc

524 artigos

HOME > blog

China supera EUA em aprovação global

Dados de pesquisa evidenciam papel do gigante asiático na multipolaridade

China supera EUA em aprovação global (Foto: CGTN)

Por José Reinaldo Carvalho - A China supera os EUA em aprovação global e evidencia uma mudança estrutural no cenário internacional, marcada pela queda da popularidade americana e pela consolidação de um mundo cada vez mais multipolar, no qual novas referências de liderança passam a ganhar espaço.

Os dados divulgados pela Gallup mostram que a liderança chinesa alcançou 36% de aprovação global em 2025, superando os 31% registrados pelos Estados Unidos. A informação, publicada em análise de Julie Ray, Benedict Vigers e Zaccary Ritter, indica que essa diferença representa a maior vantagem chinesa já registrada em quase duas décadas.

A ultrapassagem não ocorre por acaso. Ela reflete um movimento mais profundo: enquanto a imagem dos Estados Unidos sofre desgaste contínuo, a China mantém uma trajetória mais estável e, recentemente, em leve ascensão. A aprovação americana caiu de 39% para 31% em apenas um ano, ao passo que a chinesa avançou de 32% para 36%, sinalizando uma inversão simbólica no imaginário global.

Mais do que números isolados, esses dados revelam uma transformação na percepção internacional sobre liderança e governança. A política externa dos EUA enfrenta resistência crescente, inclusive entre parceiros tradicionais. A queda acentuada da aprovação em países europeus, como Alemanha e Portugal, ilustra esse distanciamento.

Ao mesmo tempo, a China avança de maneira distinta. Seu crescimento em aprovação é consistente. Esse padrão sugere uma construção gradual de confiança, especialmente em um contexto global marcado por instabilidade e incertezas. Em vários países, o aumento da percepção positiva sobre Pequim ocorre justamente onde a imagem de Washington se deteriora, evidenciando uma mudança comparativa de referência.

Outro elemento relevante é a estabilidade relativa da desaprovação chinesa, que permanece em 37%, enquanto a dos Estados Unidos atinge um recorde de 48%. Essa diferença indica que, embora ambas as potências enfrentem críticas, a rejeição aos EUA se intensifica de forma mais acentuada, ampliando o contraste entre as duas lideranças.

A análise da aprovação líquida reforça essa tendência. A China registra um índice próximo da neutralidade (-1), enquanto os Estados Unidos atingem o pior resultado já medido (-15). Essa distância evidencia não apenas uma vantagem estatística, mas uma mudança qualitativa na percepção global, na qual a liderança americana deixa de ser vista como referência dominante.

Ainda que nenhuma das grandes potências alcance maioria de aprovação, o fato de a China ocupar a segunda posição global, atrás apenas da Alemanha, já representa um avanço significativo em relação ao padrão histórico. Durante décadas, o protagonismo dos EUA parecia incontestável; hoje, ele é claramente disputado.

O cenário também aponta para um mundo menos polarizado entre aliados fixos e mais aberto a múltiplos centros de poder. A maioria dos países não demonstra alinhamento forte com nenhuma potência, preferindo manter relações equilibradas. Esse comportamento reflete uma busca por autonomia estratégica e maior margem de manobra diante das disputas globais.

Nesse contexto, a ascensão relativa da China pode ser interpretada como parte de um processo mais amplo de reorganização internacional. Não se trata apenas de substituir uma liderança por outra, mas de redefinir os critérios de influência e legitimidade no sistema global.

A evolução dos dados sugere que a percepção pública internacional está se tornando mais definida, com menos neutralidade e maior polarização de opiniões. Esse fator tende a influenciar decisões políticas, econômicas e diplomáticas, ampliando o peso da opinião pública nas relações internacionais.

Diante desse cenário, o avanço da China não pode ser visto apenas como um crescimento pontual de popularidade, mas como um indicativo de transformação estrutural. A queda dos Estados Unidos, por sua vez, revela os limites de um modelo de liderança que já não encontra o mesmo respaldo global.

O resultado é um equilíbrio de poder mais difuso e no qual a China emerge como um ator cada vez mais central, não apenas pela força econômica, mas também pela mudança gradual na forma como é percebida no cenário internacional.

As Iniciativas Globais lançadas pelo Presidente Xi Jinping, certamente são fatores que, na medida em que cheguem amplamente ao conhecimento da opinião pública, favorecerão cada vez mais a avaliação positiva da China. A Iniciativa Cinturão e Rota, lançada em 2013, impulsiona a  cooperação e fomenta o desenvolvimento dos países parceiros. A Iniciativa de Desenvolvimento Global, proposta em setembro de 2021 na Assembleia Geral da ONU, foca em erradicação da pobreza, segurança alimentar, financiamento para o desenvolvimento e mudanças climáticas, visando acelerar a Agenda 2030 da ONU. Não há dúvida de que tal iniciativa desperta enormes simpatias.

Já a Iniciativa de Segurança Global, apresentada em abril de 2022, promove uma visão de segurança indivisível, baseada no diálogo e no respeito à soberania nacional, servindo como uma alternativa aos modelos de aliança liderados pelas potências ocidentais. A Iniciativa de Civilização Global, lançada em março de 2023, defende o respeito à diversidade das civilizações, o diálogo entre culturas e a oposição à imposição de valores ou modelos de desenvolvimento únicos, um contraste com a falsa ideia do “choque de civilizações”. 

Recentemente, em setembro de 2025, o Presidente Xi Jinping propôs a Iniciativa de Governança Global (GGI), que busca reformar o sistema internacional para torná-lo mais justo, equitativo e centrado no multilateralismo, na igualdade soberana e na paz. 

Um país soberano, em pleno e vigoroso desenvolvimento, próximo de completar a grande meta centenária do rejuvenescimento nacional, desperta o interesse e a admiração de cada vez mais pessoas no mundo. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados