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Marcia Carmo

Jornalista e correspondente do Brasil 247 na Argentina. Mestra em Estudos Latino-Americanos (Unsam, de Buenos Aires), autora do livro ‘América do Sul’ (editora DBA).

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Colombianos votam entre candidato de Trump e Bolsonaro e presidenciável de Petro. Resultado pode ser mais uma guinada política

O voto não é obrigatório na Colômbia. Índice de abstenção costuma ser alto

Iván Cepeda (Foto: REUTERS/Jair Coll)
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Por Marcia Carmo, enviada especial do Brasil 247 a Bogotá

Após quase quatro anos de mandato, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, espera passar a faixa presidencial para seu aliado político, o senador e filósofo Iván Cepeda, no dia sete de agosto. Petro é o primeiro presidente de esquerda na história do país. Os rumos da Colômbia serão decididos no segundo turno da eleição presidencial deste domingo. As candidaturas são radicalmente antagônicas. Cepeda fala com serenidade, costuma ler seus discursos escritos à mão e pede calma à população na hora da votação. Ele deixa claro que é um homem de diálogo, que pretende manter e ampliar as políticas aplicadas durante o mandato de Petro. O pai de Cepeda era advogado, jornalista e político que integrava o Partido Comunista Colombiano e foi assassinado em 1994. A história política da Colômbia é marcada por fatos sangrentos. Ivan Cepeda tem o semblante do pai e como ele foi do Partido Comunista. Aos 63 anos, Cepeda tem uma longa trajetória parlamentar e, ao contrário de Petro, não discordou do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, quando o candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella, do Defensores da Pátria, foi o mais votado, com 43,7% dos votos. Cepeda, do Pacto Histórico, recebeu 40,9% da votação.

Esta é a primeira eleição que De la Espriella disputa e, segundo a imprensa local, ele ganhou fama e muito dinheiro como advogado de traficantes de drogas e dos chamados paramilitares (milícias). Como Milei, na Argentina, ele atraiu a atenção do eleitorado com discurso disruptivo nas redes sociais – especialmente o Tik Tok. Em uma entrevista à revista Semana, de Bogotá, ele chamou o governo Petro de “bandido” e afirmou que convocará uma auditoria internacional para revisar as contas da atual administração, caso seja eleito. De la Espriella sugere que quer “refundar” a Colômbia à sua maneira, abrindo espaço para a extrema-direita e voltando a alimentar a direita do país, que perdeu a última eleição para Petro, em 2022. A esposa do candidato gerou críticas ao dizer que perder a corrida eleitoral não seria um problema já que eles têm casas e vidas construídas na Itália e nos Estados Unidos. A fala foi vista como desdém ao eleitorado e ao país.

Trump, Flávio Bolsonaro e Milei

Logo depois do primeiro turno da eleição presidencial, no dia 31 de maio, o presidente dos Estados Unidos declarou seu forte apoio ao candidato que é opositor de Petro. “Ele tem meu apoio irrestrito”. Desde então, Trump já postou outras duas mensagens a favor do presidenciável do Defensores da Pátria. A mais recente foi: “Votem” (em De la Espriella).

Afagos felinos

Com a camisa da seleção colombiana, que conseguiu usar na campanha após uma disputa judicial, o presidenciável conversou com Milei e disse que a região merece ter um ‘tigre’ (como ele se identifica) e um ‘leão’ (como Milei se identifica). Além da troca de afagos felinos, De la Espriella também recebeu a simpatia do senador Flávio Bolsonaro que lhe desejou “sucesso” no segundo turno.

Voto não é obrigatório

O voto na Colômbia não é obrigatório e o índice de abstenção é historicamente alto. Costuma superar 45%, 50%. Neste domingo, Cepeda mantém a esperança de que o voto dos colombianos o levem ao palácio presidencial (Casa de Narinho). Nas ruas de Bogotá, os eleitores parecem cautelosos. “Tudo pode acontecer. Muita gente pode não votar ou pensar bem antes de votar e decidir a eleição”, disse o taxista Gonzalo Delgado. “Hoje, é a incerteza que impera. Acho que o país está dividido em 50% e 50%”, disse. O analista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia, observa que os candidatos intensificaram ainda mais suas campanhas (como é esperado) após o primeiro turno. Mas as campanhas também acrescentaram o discurso do medo.

América Latina à direita

Hoje, a Argentina, o Chile e o Equador são governados por simpatizantes de Trump. Milei, por exemplo, já esteve 16 vezes nos Estados Unidos desde que assumiu a Presidência há dois anos e meio. A Bolívia, governada por Rodrigo Paz, opositor de Evo e de Luis Arce, está mergulhada em uma crise, e o Paraguai também tem uma relação intensa com o governo Trump. Neste tabuleiro, onde Lula, Claudia Sheinbaum, do México, e Petro mostram afinidade, a eleição presidencial no Brasil e na Colômbia tem ainda maior importância para sabermos para que lado irá o pêndulo regional – se ainda mais à direita (ou melhor, extrema-direita) ou para a centro-esquerda ou esquerda. Os rumos da região estão sendo definidos, ao mesmo tempo em que a popularidade dos presidentes da extrema-direita desaba – casos de Milei, da Argentina, e de Kast, do Chile, por exemplo...

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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