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Marcia Carmo

Jornalista e correspondente do Brasil 247 na Argentina. Mestra em Estudos Latino-Americanos (Unsam, de Buenos Aires), autora do livro ‘América do Sul’ (editora DBA).

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Trump reúne em Miami seus amigos da direita e da extrema direita da América Latina

Encontro ocorre em meio aos bombardeios no Oriente Médio

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 20/02/2026 REUTERS/Kevin Lamarque (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Enquanto o mundo acompanha os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel no Irã e a dimensão bélica que envolve outros países do Oriente Médio, o presidente Donald Trump será o anfitrião, neste sábado, em Miami, de um encontro com seus colegas de direita e de extrema-direita da América Latina. Trump mantém sua atenção na nossa região.

Entre os líderes dos países vizinhos do Brasil participam os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e da Bolívia, Rodrigo Paz. Além deles, estarão, entre outros, os presidentes do Equador, Daniel Noboa, de Honduras, Nasry Asfura, de El Salvador, Najibi Bukele, e o eleito do Chile, José Antonio Kast.  Os presidentes do Brasil, Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, não participam do encontro com Trump. Os dois países são os maiores da América Latina, em termos econômicos, geográficos e populacionais, e governados por presidentes que discordaram publicamente das investidas bombásticas de Trump contra o Irã. Em suas chamadas ‘mañaneras’ (entrevistas matinais), a presidenta Sheinbaum criticou também a ampliação do bloqueio contra Cuba. Trump anunciou neste ano que o país que ajudar o país caribenho com o envio de petróleo será sancionado com tarifas.

Cuba

O embargo já dura mais de 60 anos, mas agora a situação, que inclui horas seguidas de apagões, é ainda mais crítica do que durante o chamado ‘período especial’ após a dissolução da União Soviética, em 1991, que era o principal parceiro da Ilha até a chegada de Hugo Chávez à Presidência da Venezuela, em 1999.

Milei

Trump tem a simpatia e apoio explícito dos presidentes que receberá neste sábado em Miami. Milei, da Argentina, já esteve 14 vezes nos Estados Unidos desde que tomou posse na Casa Rosada em dezembro de 2023. Desta vez, a agenda do encontro prevê a preocupação de Trump em relação à presença da China na América Latina. O país asiático é o principal parceiro comercial de vários países da região, incluindo o Brasil.

Equador e militares dos EUA

O evento em Miami ocorre três dias depois que Noboa, do Equador, anunciou em suas redes sociais uma aliança militar com o governo dos EUA para o combate conjunto ao tráfico de drogas. “Começamos uma nova fase contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal. Neste mês de março faremos operações conjuntas com nossos aliados na região, incluindo os Estados Unidos”, disse. A mesma informação foi dada pelo Comando Sul dos Estados Unidos, que também divulgou um vídeo de uma das operações militares no território equatoriano.

Chile, China, Trump e crise

Em tempos de Trump as turbulências provocam uma crise inédita desde a retomada da democracia chilena, em 1990, após 17 anos de ditadura de Pinochet. Na próxima quarta-feira (11), o presidente eleito Kast toma posse. Ao contrário da tradição argentina, quando opositores passam a faixa presidencial, quase sempre às turras, no Chile a cerimônia costuma ser dentro do previsto, sem sobressaltos. Mas desta vez pode ser diferente. Nos últimos dias, uma briga inesperada entre Kast e o atual presidente Gabriel Boric está no foco do Chile – e além do território do país andino. Trump disse que um cabo de fibra ótica, de um projeto da China, ligando o Chile ao território asiático é uma ameaça à segurança internacional. Kast, da extrema-direita, parece concordar com ele e por este motivo rompeu o diálogo da transição com Boric.

Política externa

A política externa ganhou outra velocidade e tentáculos desde o retorno de Trump à Casa Branca. E neste seu retorno, ele incluiu a nossa região, a América Latina, em seus planos de voo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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