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Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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Concurso para vaga de Alysson Mascaro na USP tem candidatos que atuaram em processo que levou à sua demissão

Um dos mais celebrados intelectuais marxistas do Brasil, o professor foi alvo de processo administrativo marcado por falta de provas e depoimentos controversos

Crítica do cancelamento, de Alysson Mascaro (Foto: Brasil 247 / Contracorrente)
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O concurso para preenchimento de uma vaga de professor doutor no Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP, cuja primeira etapa terá início em 8 de junho, ocorre em meio a uma controvérsia que ainda produz desdobramentos dentro e fora da universidade.

A vaga em disputa foi ocupada até recentemente pelo professor Alysson Mascaro, demitido após processo administrativo disciplinar instaurado pela instituição. Mascaro nega as acusações que motivaram sua demissão e busca reverter a decisão na Justiça.

Entre os 44 candidatos inscritos no concurso estão pelo menos dois ex-alunos que prestaram depoimentos no procedimento que culminou na saída do professor. A circunstância chama atenção porque a legalidade e a legitimidade do processo administrativo continuam sendo contestadas por Mascaro em ações judiciais e no debate público.

Ao ser questionado sobre a dimensão ética de disputar a vaga anteriormente ocupada por um professor contra o qual prestou depoimento, um dos candidatos respondeu:

"Acho ético, sim. Sem sombra de dúvidas. Pelo contrário, antiético seria impedir alguém de se candidatar a um concurso público por consequência de ter sido vitimado na mesma instituição. Uma espécie de duplo dano. Não faria o menor sentido."

Outro candidato procurado pela reportagem não respondeu até o fechamento deste texto.

A presença de ex-alunos envolvidos no caso entre os concorrentes do certame adquire relevância adicional porque a defesa de Mascaro sustenta que o processo administrativo foi resultado de uma articulação organizada para afastá-lo da universidade.

Nos autos judiciais e em manifestações públicas, o professor afirma ter sido vítima de uma campanha coordenada destinada a produzir denúncias contra sua atuação acadêmica e política. Essa tese ganhou novo impulso após a divulgação de mensagens eletrônicas reproduzidas em reportagem publicada nesta coluna. 

No texto, informo que um endereço eletrônico anônimo procurou estudantes para incentivá-los a formular acusações contra Mascaro. As mensagens indicam uma tentativa de organizar previamente denúncias e contatos com jornalistas interessados no caso. Um dos contatos é o jornalista Felipe Gasper, que, quando as denúncias se tornaram públicas, em reportagem publicada no Intercept, fingiu surpresa. Esse movimento reforça a hipótese de uma ação articulada contra Alysson Mascaro.

É nesse contexto que se realiza o concurso aberto pela Faculdade de Direito para contratação de um novo professor doutor da área de Filosofia e Teoria Geral do Direito. O processo seletivo ocorrerá entre os dias 8 e 23 de junho de 2026, sob responsabilidade de banca composta pelos professores Guilherme Assis de Almeida, Daniel Damásio Borges e Fábia Fernandes Carvalho.

Independentemente do resultado do concurso, a presença entre os candidatos de pessoas que participaram dos procedimentos que levaram à demissão do ocupante anterior da vaga acrescenta um elemento simbólico e político a uma disputa que ainda está longe de ser encerrada. Afinal, enquanto a universidade considera concluído o processo administrativo, a controvérsia sobre seus fundamentos continua sendo discutida na esfera judicial e no espaço público.


* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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