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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Confesso que não roubei

Criminosos inteligentes nunca se declaram criminosos

Confesso que não roubei (Foto: Divulgação)

Espero que, depois de vir à tona o teor do interrogatório que Daniel Vorcaro prestou à Polícia Federal, no dia 30 de dezembro de 2025 — no qual se declara inocente e culpa a mídia, os “concorrentes” e “algumas pessoas do Banco Central” pela liquidação do Banco Master —, os colunistas “bem informados” sosseguem o facho e parem de alardear que a delação premiada — “que vai derrubar metade da República” — está em seus planos.

Ao fazer a delação, tal como está previsto na legislação brasileira, o delator automaticamente confessa seus crimes, o que acelera o andamento do inquérito.

E tudo o que ele quer é que o processo se arraste por muitos anos, até que ele saia das manchetes que frequenta desde o dia 17 de novembro de 2025, para continuar, na surdina, a batalha pela sua absolvição.

Delatar também significa entregar à Justiça, de mão beijada, todos os figurões que o ajudaram a arrancar a bagatela de R$ 12 bilhões do BRB — e outros bilhões em investimentos em sua gigantesca pirâmide —, o que o transformou em bilionário em apenas sete anos, uma das mais rápidas ascensões sociais da história do Brasil.

Quanto mais ele e seus poderosos advogados conseguirem adiar o trânsito em julgado de seu inquérito, mais tempo ele vai continuar em sua prisão domiciliar de luxo, em uma de suas mansões — e não numa cela do Complexo da Papuda, sem direito à Papudinha —, cercado de criminosos de alto coturno e extrema periculosidade.

Burro ele não é. Ao contrário, tudo indica que tem um alto QI.

Criminosos inteligentes jamais confessam seus crimes.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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