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Polícia Federal começa a ouvir nesta segunda-feira investigados do caso Master

Depoimentos envolvem diretores, empresários e ex-executivos suspeitos de fraudes bilionárias no sistema financeiro

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

247 - A Polícia Federal inicia nesta segunda-feira (26), uma nova fase da Operação Compliance Zero, com a oitiva de oito investigados no inquérito que apura possíveis irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão colhidos por videoconferência ou presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e estão programados para ocorrer das 8h às 16h, estendendo-se até a terça-feira, 27.

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo aponta que os investigadores devem concentrar os questionamentos em um conjunto de operações financeiras suspeitas, que envolvem a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas. Além disso, também estão no centro da apuração operações com fundos e ativos supostamente inflados, que teriam sido estruturadas para elevar artificialmente o patrimônio do Banco Master. Essas operações, realizadas com a participação da gestora Reag DTVM, somariam outros R$ 11,5 bilhões, conforme apontado pelo Banco Central.

O Banco de Brasília anunciou, em 28 de março de 2025, a intenção de adquirir o Banco Master, com o objetivo de criar um novo conglomerado financeiro sob controle estatal. Em 3 de setembro, o Banco Central decidiu reprovar a operação, encerrando oficialmente o processo de compra.

A partir da negativa do BC, as investigações se aprofundaram e passaram a apontar indícios de que o Banco Master, sob o comando de seu proprietário, Daniel Vorcaro, teria estruturado uma série de operações irregulares, fraudulentas ou potencialmente enganosas. De acordo com os investigadores, o objetivo seria aparentar solidez financeira e viabilizar novos negócios, mesmo diante de um cenário de fragilidade patrimonial.

Nos últimos anos, o Banco Master apresentou crescimento acelerado, impulsionado pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima da média de mercado. A estratégia de captação era fortemente apoiada na divulgação da proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As apurações, porém, indicam que o balanço da instituição refletia ativos inflados artificialmente, por meio de fundos sob suspeita de manipulação e operações de crédito consignado consideradas frágeis, enquanto os passivos seriam significativamente superiores.

A primeira fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central determinar a liquidação do Banco Master. Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central também decretou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust, no dia 15, e do Will Bank, na última quarta-feira, 21, ampliando o alcance das medidas adotadas para conter os efeitos das irregularidades identificadas no sistema financeiro.

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