Leopoldo Vieira avatar

Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

209 artigos

HOME > blog

Corrupção: “não deixaremos pedra sobre pedra”, diz Lula

Presidente promete apuração rigorosa de fraudes bilionárias e responsabiliza gestão anterior por irregularidades ligadas ao Banco Master

27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

Em meio às iminentes delações premiadas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de Maurício Camisotti, empresário apontado como beneficiário final das fraudes contra aposentados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a disputa pela bandeira anticorrupção, rejeitando associações ao governo e ao PT e reforçando que levará as apurações até o final — o que está em linha com pesquisas recentes que mostram a corrupção como a segunda maior preocupação da população, e também com o latente sentimento antissistema da sociedade.

No momento, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Master continua bloqueada pela cúpula do Congresso. A do INSS está próxima de seu desfecho, com um esperado conflito de relatórios finais entre o governo, majoritário no colegiado, e bolsonaristas, que controlam seu comando. O relator oficial, deputado Alfredo Gaspar, será o único candidato ao governo de Alagoas que fará campanha para o senador Flávio Bolsonaro, segundo ata vazada de uma reunião da direção do PL. Já a CPI do Crime Organizado tem encontrado dificuldades para colher depoimentos-chave devido a decisões do Judiciário que, por ora, desobrigam participações.

Esse quadro reitera que a atenção deve se deslocar para os trabalhos conduzidos pela Polícia Federal (PF) e pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aprisionando o campo do centro e da direita na matriz de risco político. “Não deixaremos pedra sobre pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um golpe de R$ 50 bilhões neste país. Quem reconheceu o Master, em setembro de 2019, foi Roberto Campos [Neto]. E todas as falcatruas foram feitas nesse período. Esse banco é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, declarou Lula, no lançamento do nome de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, indicando um posicionamento que pode ser acompanhado por setores do Centrão interessados em se dissociar do chamado efeito contágio.

Uma frase semelhante — “não vai ficar pedra sobre pedra” — foi proferida pela ex-presidenta Dilma Rousseff em outubro de 2014, logo após sua reeleição, referindo-se às investigações na Petrobras. Na sequência, ao adotar parcialmente medidas econômicas esperadas pelo mercado financeiro, que a fez perder popularidade, Rousseff foi deposta por uma coalizão que envolvia o Centrão, o bolsonarismo e a Faria Lima. O contexto, porém, é considerado diferente.

FLÁVIO PODE COMEÇAR A SOFRER PRESSÃO

Em outras instâncias da Justiça, começam as pressões sobre o senador Bolsonaro: o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou uma ex-assessora do pré-candidato da oposição por lavagem de dinheiro do jogo do bicho, que teria sido realizada por meio de empresas de fachada. Ela já havia sido denunciada pelo esquema das “rachadinhas”, escândalo esteve na origem das acusações do ex-juiz Sergio Moro de que o ex-presidente Jair Bolsonaro queria trocar a direção da PF para controlar dados de inteligência e, nas palavras dele, “proteger familiares”.

Além disso, a Comissão de Ética Pública, que zela pelo Código de Conduta da Alta Administração, vai analisar uma representação contra Campos Neto, cotado para ser ministro da Fazenda em um cenário de vitória de Flávio, por suposta omissão na fiscalização do Master. Para investidores, o eventual crescimento dessas pressões pode testar a capacidade de resistência do senador Bolsonaro na fase pré-eleitoral.

“Eu acho que a política apodreceu. Há uma promiscuidade generalizada na política, em todos os partidos. E nós precisamos voltar a fazer a política valer a pena. Quem descobriu toda a roubalheira da previdência foi o nosso governo, foi a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Eu era favorável que o PT abrisse uma CPI, mas o pessoal argumentou que o partido que está no governo não pode abrir CPI, e eles [a oposição] abriram. Ao invés da gente estar indo para cima deles, eles estão vindo para cima da gente. Quando, na política, a gente vacila, a gente paga o preço depois”, disparou Lula, orientando seus correligionários à ofensiva.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados