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Francisco Calmon

Combatente da ditadura desde a adolescência, prisioneiro nos cárceres da ditadura do Doi-Codi ao HCE. Advogado, administrador e analista de TI. Organizador da RBMVJ e do Canal Pororoca.  Autor e organizador de vários livros, entre eles “60 anos do golpe: gerações em luta”.

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Teatro do faz de contas

"Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, mesmo com a inflação dentro da meta"

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

São responsáveis aqueles que cativam e indicam para ocupar pastas de alto encargo do governo pelo posterior desempenho do indicado.

Depois da indicação e nomeação, dizer que o filho não lhe pertence, não o reconhecer, é muita falta de honestidade política e covardia pessoal.

Criticar depois pelos malfeitos e eximir-se de ser o(s) progenitor(es) é mau-caratismo.

Se o filho tira notas azuis, assumem e exibem; se tiram notas vermelhas, escondem e fazem de conta que não o pariram. Ou pior: criticam publicamente com a maior cara lavada.

Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, mesmo com a inflação dentro da meta.

Depois do fato consumado, não uma e nem duas vezes, mas dezenas, voltam ao mesmo enredo: governo critica, Banco Central repete as mesmas cantilenas e platitudes à guisa do cardápio da conjuntura e ficam todos em nova expectativa, dentro de 45 dias, da nova reunião do Copom.

O BC é uma autarquia autônoma; porém, quem nomeia a diretoria é o Presidente do Brasil, detentor, por delegação do sufrágio universal, da soberania popular.

Lula recebeu a sugestão do nome de Galípolo do então poderoso ministro da Fazenda, Haddad, que era o seu segundo no Ministério.

Tanto Haddad como Lula o elogiaram muito para a sociedade.

Galípolo elevou a Selic de 12,25%, quando assumiu, até 15%, por longos meses, e a cada reunião do Copom, os membros do governo e do PT manifestavam suas expectativas e pressão pela redução. Não acontecia e criticavam. No início, até disseram que o antecessor, Campos Neto, tinha deixado armadilhas e que Galípolo precisava de tempo.

O tempo decorreu e, na primeira redução, veio a frustração: em vez de pelo menos 0,5%, apenas 0,25%.

Novamente o ato do teatro de faz de conta voltou: Lula, Haddad, Lindbergh, Gleisi voltaram com a mesma cantilena da decepção.

Galípolo usou a guerra no Oriente Médio como argumento, por conta da instabilidade que produz. Estamos com conflitos armados desde a guerra entre Ucrânia e Rússia. Foi a desculpa de ocasião do BC para reduzir somente 0,25%.

Uma guerra, se traz destruição por um lado, ocasiona, por outro, oportunidades. Para aproveitá-las, os juros devem compensar investimentos na economia real; se não, vai para o escaninho rentista e a dívida do governo aumenta.

Vamos dar um basta na engambelação. Sejam sinceros e transparentes para contribuir no exercício da democracia para a sociedade.

Todas as instituições da Administração Pública estão obrigadas ao Limpe constitucional (art. 37).

Teatro verdade e não o de faz de conta.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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