Cuba resiste
Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos
Donald Trump está fazendo de tudo para sufocar Cuba, cuja vitória revolucionária ainda não foi aceita pelos Estados Unidos.
Agora, o presidente americano emitiu o que chamou de "ordem executiva", ameaçando com medidas severas os países que continuam fornecendo petróleo a Cuba.
Fiz três perguntas a um amigo cubano, Abel Prieto, presidente da Casa de las Américas, sobre a situação real na ilha, especialmente considerando a quantidade de notícias falsas disseminadas pelos principais veículos de comunicação controlados pelos Estados Unidos.
Abel respondeu com uma carta, que reproduzo aqui na íntegra.
"Este é um esforço cruel para nos sufocar e forçar a sempre presente 'mudança de regime'. Eles ameaçam sancionar qualquer país que nos venda petróleo, paralisando, assim, a economia, a produção e os serviços à população e promovendo uma crise política."
Ele então detalha as medidas tomadas pelo governo cubano "para priorizar as necessidades básicas da população, saúde pública, educação e assistência aos setores mais vulneráveis". "Além disso, estão em curso esforços para acelerar os investimentos já realizados na instalação de parques solares e no uso de fontes de energia renováveis." Abel relata que, no ano passado, "conseguiram instalar cerca de 50 parques fotovoltaicos em todas as províncias". Esses parques estão sendo instalados em maternidades, policlínicas e lares de idosos.
Da mesma forma, do ponto de vista energético, estão protegendo centros de produção associados a exportações, irrigação elétrica, cultivo de tabaco, entre outros.
"Juntamente com a tentativa de nos sufocar, as operações de guerra psicológica por meio da mídia digital, financiadas pelos ianques, estão se multiplicando a cada dia", escreve Abel. "É por isso que estamos trabalhando intensamente para preparar nosso povo para travar a batalha nas redes sociais sem ser manipulado."
Abel então recorda: "O povo cubano passou por experiências muito difíceis ao longo de todos esses anos: a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis de Cuba, a guerra biológica, furacões devastadores, o colapso do socialismo na Europa, as Leis Torricelli e Helms-Burton e a pandemia da COVID-19."
Ele relata as homenagens prestadas aos 32 cubanos que morreram defendendo o governo venezuelano contra o sequestro do presidente daquele país.
E conclui dizendo que: "Apesar das enormes carências e dificuldades que enfrentamos hoje, estou convencido de que não há, nem haverá, uma crise política em Cuba. O decreto de Trump só serviu para radicalizar nosso povo, nos unir ainda mais e nos tornar mais anti-imperialistas e antifascistas."
E termina com: "Um grande abraço, querido Emir."
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



