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José Reinaldo Carvalho

Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc

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Cuba resiste e mobiliza o mundo contra o bloqueio imperialista

Solidariedade internacional cresce diante das ameaças dos Estados Unidos e reafirma a força da Revolução cubana

Díaz-Canel, presidente de Cuba (Foto: Prensa Latina)

Por José Reinaldo Carvalho - Uma ampla mobilização internacional vem ganhando força e reafirmando a solidariedade dos movimentos sociais do mundo com Cuba. Nos últimos dias, a chegada de carregamentos de ajuda humanitária ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, tornou-se símbolo concreto dessa rede global de apoio à ilha caribenha, em um momento de intensificação das pressões externas.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal cubano Granma, a iniciativa é impulsionada pela Caravana Nossa América para Cuba, que reúne organizações populares, sindicatos, ativistas e lideranças políticas comprometidas com o enfrentamento ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. A presença de centenas de pessoas na ilha, nesta semana, para atos conjuntos com o povo cubano e suas autoridades evidencia que a resistência de Cuba não é isolada e ecoa em todo o mundo.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, comemorou nesta quinta-feira (19) a chegada de um grupo internacional de solidariedade ao país, composto por pessoas e organizações de diversas partes do mundo. 

Em declaração publicada pelo próprio chefe de Estado em sua conta na rede social X (antigo Twitter), ele destacou o caráter solidário da ação e a importância do apoio internacional neste momento. Díaz-Canel deu as boas-vindas ao grupo, ressaltando “mais uma vez ‘a ternura dos povos’”.

O presidente cubano também enfatizou o valor simbólico e político da iniciativa ao afirmar que “a solidariedade sempre retorna”, reforçando a narrativa de apoio mútuo entre nações e movimentos sociais.

A chegada do comboio ocorre em um contexto de desafios econômicos e pressões externas enfrentadas por Cuba, e evidencia a mobilização de redes internacionais em defesa do país caribenho.

Diante desse quadro, o que se impõe é o reconhecimento da extraordinária capacidade de resistência do povo cubano. 

Esse movimento internacional ocorre em meio ao agravamento das ameaças vindas de Washington. A retórica agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sintetizada na declaração de que “posso fazer o que eu quiser com Cuba”, não apenas revela a persistência de uma lógica intervencionista, como escancara o desprezo pelo direito internacional e pela soberania dos povos. Trata-se de uma postura que remete às práticas mais sombrias da política externa estadunidense na América Latina.

Essas ameaças não surgem no vazio. Elas se somam a mais de seis décadas de sanções, bloqueios econômicos, cercos diplomáticos, tentativas de magnicídio, atentados e estímulo à subversão interna. O cerco imposto a Cuba constitui uma das mais prolongadas e sistemáticas agressões da história contemporânea. Ao lado disso, desenvolve-se uma intensa guerra midiática, que busca deslegitimar o processo revolucionário e manipular a percepção internacional sobre a realidade cubana.

A hipocrisia dos pretextos apresentados pelo governo dos Estados Unidos é evidente. Sob o discurso de “salvar” Cuba do colapso e levar progresso ao país, Washington tenta justificar uma política que, na prática, é responsável por grande parte das dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha. O bloqueio não apenas limita o acesso a mercados, tecnologias e financiamentos, como impõe obstáculos cotidianos à vida do povo cubano. Falar em “resgate” diante de um cenário criado deliberadamente é um exercício de cinismo político.

Ao longo de décadas, Cuba demonstrou que é possível sustentar um projeto soberano, mesmo sob as condições mais adversas. A Revolução Cubana, construída sob a liderança histórica de figuras como Fidel Castro e consolidada por Raúl Castro, segue sendo conduzida com firmeza pelo atual governo e pelo Partido Comunista de Cuba, sob a liderança de Miguel Díaz-Canel.

Essa continuidade política e ideológica não é mero formalismo: ela expressa um compromisso profundo com a soberania nacional, a justiça social e a dignidade do povo cubano. Em um mundo marcado por desigualdades crescentes e por intervenções externas disfarçadas de ajuda, Cuba permanece como um símbolo de autodeterminação e resistência.

A solidariedade internacional que hoje se intensifica é um gesto de apoio humanitário e um posicionamento político claro contra o imperialismo e em defesa do direito dos povos de escolher seus próprios caminhos. Ao se mobilizarem, movimentos sociais de diversos países reafirmam que a luta de Cuba é, em última instância, uma luta global por soberania e justiça.

Contra o bloqueio, contra as ameaças e contra a manipulação, Cuba segue de pé. E, como já demonstrou ao longo de sua história, seguirá resistindo. Cuba vencerá.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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