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Eduardo Guimarães

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De novo, o chefão é o Jair

No centro de tudo, mais uma vez, Jair Bolsonaro. O chefão que nega, que se faz de vítima, mas cujo nome puxa todos os fios desta teia

Jair Bolsonaro chega à casa onde cumpre pena em prisão domiciliar (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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Parece mentira, mas é fato: mais uma vez o culpado é o “mito” de 10 entre 10 fascistas que habitam esta nação perdida em um delírio cristofascista. 

Vale ressaltar que o conceito “cristofascismo” foi cunhado em 1970 pela teóloga alemã Dorothee Sölle, um dos nomes mais importantes da Teologia da Libertação e da teologia política na Europa.

Sölle desenvolveu o termo ao analisar o comportamento das igrejas cristãs na Alemanha (especialmente a maioria luterana) durante as décadas de 1930 e 1940 (ascensão do nazifascismo).

Ela observou como a omissão, o nacionalismo cego e o conservadorismo moral dessas igrejas pavimentaram o caminho e deram sustentação ideológica à ascensão de Adolf Hitler.

Quase um século se passou e o espírito dessa ideologia infame sobrevive sob roupagens como trumpismo, bolsonarismo e outras...

Mas vamos ao que interessa; além de liderar a trama golpista, fica cada vez mais claro que Jair Bolsonaro liderou a organização criminosa edificada ao redor de um banco que só se materializou graças a um presidente que chegou ao Poder com o objetivo de não deixá-lo nunca mais.

O escândalo do Banco Master não é acidente. O banco de Daniel Vorcaro explodiu durante o governo Bolsonaro. Autorizações do Banco Central, mudanças nas regras do consignado, INSS e um ambiente regulatório feito sob medida transformaram uma instituição pequena em máquina bilionária de fraudes.

Bolsonaro foi além: criou o Banco Central independente, em 2021, e colocou no comando seu fantoche Roberto Campos Neto. Entregou ao aliado uma autarquia blindada de qualquer controle político real. Campos Neto continua blindado até hoje pela mídia e pelo sistema.

Segundo o Estadão, o neto de Roberto Campos sabia dos graves problemas de liquidez do Banco Master mais de um ano antes da liquidação. Evitou intervir duas vezes em 2024, priorizou “soluções de mercado” e tolerou os abusos de Vorcaro. 

Essa leniência não foi omissão: foi a moeda de troca. Os favores que Jair Bolsonaro fez a Vorcaro — e que resultaram nos milhões repassados depois — foram conseguidos exatamente pela manipulação do BC. 

Não importa a desculpa do “patrocínio ao filme”. O que importa é o que Jair Bolsonaro — e só ele — deu em troca: a caneta presidencial que autorizou, protegeu e deixou o esquema crescer.

Enquanto o banco crescia com a proteção do BC bolsonarista, a família Vorcaro/Zettel bancava a campanha de Jair. O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, doou R$ 5 milhões em 2022, dinheiro que jorrava enquanto o governo facilitava o negócio. 

Depois, com Bolsonaro fora do Planalto, o esquema tratado não foi eliminado para Flávio Bolsonaro, que cobrou pessoalmente de Vorcaro parcelas de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, acenando com sua possível volta ao Poder em 2027. 

Áudio vazado mostra o senador chamando o banqueiro de “irmão” e exigindo o dinheiro atrasado. O dinheiro saiu da conta de Vorcaro — R$ 61 milhões transferidos —, mas a produtora do filme, de Mário Frias, jura que não recebeu um centavo. Onde foi parar o recurso? Em fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro. 

É óbvio que não queriam R$ 134 milhões para o filme. É muito dinheiro para um filme com uma história mentirosa e com necessidades muito aquém do orçamento apresentado ao banqueiro. 

No centro de tudo, mais uma vez, Jair Bolsonaro. O chefão que nega, que se faz de vítima, mas cujo nome puxa todos os fios desta teia. Não é coincidência. É padrão. O mito não cai sozinho — arrasta consigo o circo inteiro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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