Digimais: o negócio não está no banco, está no imposto
"O caso revela um mecanismo silencioso e poderoso do sistema financeiro"
O banco quebra.
Mas o negócio não está no banco.
Está no imposto.
O Digimais não é um banco qualquer.
É o banco do grupo empresarial ligado à Igreja Universal.
Controlado pelo bispo Edir Macedo.
E carrega um número que explica tudo.
Quase 9 bilhões de reais em patrimônio negativo.
Para que a operação aconteça, entra o sistema.
O FGC aporta liquidez.
Algo próximo de 6 bilhões de reais.
Dinheiro para azeitar a transação.
Para evitar ruptura.
Para transformar colapso em negócio viável.
O caso revela um mecanismo silencioso e poderoso do sistema financeiro.
Não é apenas uma operação de resgate.
É uma operação de engenharia fiscal.
Um banco com patrimônio negativo deixa de ser apenas um problema.
Ele passa a ser um ativo.
Não pelo que tem.
Mas pelo prejuízo que carrega.
Prejuízo fiscal, no Brasil, vale dinheiro.
E muito.
Ao assumir o Digimais, o comprador herda créditos tributários.
Esses créditos permitem compensar lucros futuros.
Na prática, paga-se menos imposto.
Menos imposto é mais lucro líquido.
Sem esforço operacional adicional.
O Tesouro deixa de arrecadar.
O comprador captura o ganho.
Esse é o verdadeiro prêmio da operação.
O BTG não está comprando um banco.
Está comprando um escudo fiscal.
Um ativo invisível.
Enquanto isso, o sistema entra em campo.
O custo não desaparece.
Ele é redistribuído.
Dilui-se no sistema bancário.
Dilui-se no crédito.
Dilui-se no custo do dinheiro.
O controlador anterior perde.
Mas a estrutura garante a transição.
O banco é entregue saneado.
O risco mais agudo já foi absorvido.
O comprador entra depois da limpeza.
E é nesse momento que o jogo se define.
O risco foi socializado.
O ganho, não.
O ganho é privado.
E é silencioso.
Não aparece na manchete.
Aparece no imposto que deixa de ser pago.
Bilhões que não entram no caixa público.
Bilhões que aumentam o retorno do comprador.
Não há ilegalidade.
Há desenho.
Um desenho sofisticado.
Onde prejuízo vira ativo.
Onde risco vira oportunidade.
E onde o imposto se transforma em estratégia.
O banco quebra.
Mas o negócio permanece.
E, neste caso, o verdadeiro negócio nunca foi o banco.
Foi o imposto.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



