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Henrique Pinheiro

Henrique Pinheiro é economista e executivo do mercado financeiro com mais de quatro décadas de atuação no Brasil e no exterior. Trabalhou em instituições como Merrill Lynch e Wells Fargo, e atualmente atua na Bolton Global Capital, em Miami. É autor de Crônicas de um Mercado sem Pudor e produtor do documentário Terra Revolta: João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária.

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Um zumbi chamado BRB

"O BRB engoliu uma carteira de crédito inflada, pagando caro por ativos que hoje valem, ao que tudo indica, uma fração do preço"

Prédio do BRB em Brasília (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

O único banco estatal a sobreviver até hoje tinha que ser o de Brasília.

A Sudene, criada para desenvolver o Nordeste e reduzir desigualdades, foi esvaziada.

A Supra, responsável por executar a reforma agrária, foi desmontada.

Mas o BRB ficou.

Não por eficiência.

Não por relevância estratégica.

Mas por utilidade política.

Durante anos, serviu ao toma-lá-dá-cá, orbitando interesses menores e acumulando distorções que o tempo agora cobra.

A relação com o Banco Master escancarou o problema.

O BRB engoliu uma carteira de crédito inflada, pagando caro por ativos que hoje valem, ao que tudo indica, uma fração do preço.

O resultado é um banco fragilizado, com balanço pressionado e credibilidade comprometida.

Agora, caminha como um zumbi.

Percorreu o mercado com o pires na mão.

Recebeu propostas simbólicas — R$ 1 para quem aceitasse assumir o problema, desde que o Banco Central entrasse financiando a operação.

Não avançou.

Procurou a Caixa Econômica.

Ouviu um não.

Tentou o FGC.

Mas o fundo existe para proteger depositantes, não para salvar banco.

Agora, segundo reportagem recente, o BRB avalia recorrer diretamente ao Banco Central, pedindo acesso à linha de liquidez — instrumento pensado para crises sistêmicas, não para corrigir erros de gestão.

É o último estágio.

Quando um banco precisa do BC para sobreviver, o problema deixou de ser pontual.

Liquidez se injeta.

Confiança, não.

O mercado já decidiu: não atende mais o telefone.

O que se desenha é mais um roteiro conhecido:

Uma solução estatal, tecnicamente justificável, mas que no fim socializa prejuízos.

O contribuinte paga.

O sistema absorve.

E seguimos.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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