Um zumbi chamado BRB
"O BRB engoliu uma carteira de crédito inflada, pagando caro por ativos que hoje valem, ao que tudo indica, uma fração do preço"
O único banco estatal a sobreviver até hoje tinha que ser o de Brasília.
A Sudene, criada para desenvolver o Nordeste e reduzir desigualdades, foi esvaziada.
A Supra, responsável por executar a reforma agrária, foi desmontada.
Mas o BRB ficou.
Não por eficiência.
Não por relevância estratégica.
Mas por utilidade política.
Durante anos, serviu ao toma-lá-dá-cá, orbitando interesses menores e acumulando distorções que o tempo agora cobra.
A relação com o Banco Master escancarou o problema.
O BRB engoliu uma carteira de crédito inflada, pagando caro por ativos que hoje valem, ao que tudo indica, uma fração do preço.
O resultado é um banco fragilizado, com balanço pressionado e credibilidade comprometida.
Agora, caminha como um zumbi.
Percorreu o mercado com o pires na mão.
Recebeu propostas simbólicas — R$ 1 para quem aceitasse assumir o problema, desde que o Banco Central entrasse financiando a operação.
Não avançou.
Procurou a Caixa Econômica.
Ouviu um não.
Tentou o FGC.
Mas o fundo existe para proteger depositantes, não para salvar banco.
Agora, segundo reportagem recente, o BRB avalia recorrer diretamente ao Banco Central, pedindo acesso à linha de liquidez — instrumento pensado para crises sistêmicas, não para corrigir erros de gestão.
É o último estágio.
Quando um banco precisa do BC para sobreviver, o problema deixou de ser pontual.
Liquidez se injeta.
Confiança, não.
O mercado já decidiu: não atende mais o telefone.
O que se desenha é mais um roteiro conhecido:
Uma solução estatal, tecnicamente justificável, mas que no fim socializa prejuízos.
O contribuinte paga.
O sistema absorve.
E seguimos.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



