Doutora Honoris Causa para Lélia Gonzalez
"Em 56 anos de existência, esta é a primeira vez que a FURG concede sua maior honraria acadêmica a uma pessoa negra"
O conselho universitário da Universidade Federal do Rio Grande aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira 6 de março de 2026, a concessão do título de Doutora Honoris Causa à intelectual brasileira Lélia Gonzalez. A decisão representa um marco na história institucional da universidade.
Em 56 anos de existência, esta é a primeira vez que a FURG concede sua maior honraria acadêmica a uma pessoa negra. O reconhecimento celebra a força intelectual, política e cultural de uma das pensadoras mais importantes do Brasil, cuja obra atravessa campos como antropologia, filosofia política, cultura afro-brasileira e pensamento feminista negro.
A proposta foi construída com forte mobilização do Grupo Lélia Gonzalez, coletivo que atua na universidade promovendo debates e pesquisas sobre raça, gênero e justiça social. A aprovação unânime foi recebida com emoção por estudantes, docentes e pesquisadoras que há anos defendem o reconhecimento institucional da pensadora.
A cerimônia oficial de entrega do título está marcada para 20 de agosto, durante a Assembleia Universitária que ocorrerá no auditório do Centro Integrado de Desenvolvimento Costeiro e Oceânico, o Cidec, no campus da universidade em Rio Grande, no sul do país. A expectativa é de que o evento reúna comunidade acadêmica, movimentos sociais, pesquisadoras e admiradores do legado intelectual de Lélia Gonzalez.
Para integrantes do Grupo Lélia Gonzalez, a decisão simboliza mais do que uma homenagem. Representa também um gesto de reparação histórica e de ampliação do cânone acadêmico brasileiro, reconhecendo uma autora que interpretou o país a partir das experiências negras e latino-americanas.
Em nota, o coletivo agradeceu às pessoas e setores da universidade que participaram do processo de articulação e aprovação da homenagem. O grupo também convidou a comunidade acadêmica e o público em geral para participar da cerimônia de agosto, celebrando o pensamento e a presença viva da autora.
Mais do que memória, o reconhecimento reafirma a atualidade de sua obra e sua capacidade de iluminar debates contemporâneos sobre democracia, cultura e desigualdade racial no Brasil.
Lélia Gonzalez vive!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



