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Ângelo Cavalcante

Economista, cientista político, doutorando na USP e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG)

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E os PT's dos interiores? Nada?

Evidentemente, a mídia, que tem o domínio da versão e das narrativas e que por isso mesmo, costumam ir mais longe do que a minha ou a sua, conta ininterruptamente que o "país parou para protestar", que este é o "maior movimento" da história do Brasil e arroubos semelhantes. Estou seguro de que não é!

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É uma pletora de confusões de tal ordem que qualquer atrevimento de análise deste conflagrado político-partidário que está posto é, quase certo, incorrer em erro, mas corro o risco e sinceramente, vou dar meus pitacos.

É o seguinte, não é verdade que a sistemática predação do Partido dos Trabalhadores intensamente perpetrada pela oposição de direita em um combinado jurídico-midiático jamais visto na história da democracia mundial implique necessariamente na elevação, na assunção do PSDB; quero dizer que não há uma lógica de vasos comunicantes nessa intrincada política ou seja, "menos" PT não quer dizer "mais" PSDB e o inverso também é verdadeiro.

Aos analistas do PSDB falta mais seriedade no debate e nas proposituras. Tem muita gente eleitoralmente interessante correndo por fora ou por dentro desta peleja. Aos formuladores do PT falta definir estrategias anti-crise que permitam, além do embate político, típico da democracia, algum debate sobre as continentais gravidades econômicas e sociais de um Brasil ainda bastante desigual, injusto e que necessita de reformas profundas.

Essa amarradura política não interessa ao povo; não interessa às milhões de mães beneficiárias do Bolsa-Família; aos estudantes do Pró-Uni; aos milhares de produtores da agricultura familiar; aos habitantes do semiárido ou dos alagados da Amazônia; nada quer dizer para os milhares de catadores de materiais recicláveis organizados Brasil afora; essa crise nada diz aos pequenos pescadores que necessitam de águas límpidas para seus trabalhos; da mesma forma os indígenas ainda lutam bravamente pela manutenção de suas terras e que avançam sendo apropriadas pelo latifúndio, por mineradoras e por empreendimentos imobiliários e não são partes nessa tramoia.

É curioso, como esses segmentos não vibram com as ameaças que o muito específico triunvirato partido-jus-mídia e fartamente endireitado faz por dois anos ao ex-Presidente Lula; como esses setores sociais não pedem a saída da Presidente Dilma; é impressionante como os principais setores organizados do Brasil e que estão, linhas gerais, entre os maiores do mundo, não pedem qualquer tipo de ruptura institucional.
Pedem, isso sim, mais democracia, mais organização social, mais dinamismo social, politico e econômico para o país e para suas vidas.

É nesse sentido que esse movimento, diferentemente do que diz a direita, é composto pela menor ou pela bem menor parte da sociedade civil. Evidentemente, a mídia, que tem o domínio da versão e das narrativas e que por isso mesmo, costumam ir mais longe do que a minha ou a sua, conta ininterruptamente que o "país parou para protestar", que este é o "maior movimento" da história do Brasil e arroubos semelhantes. Estou seguro de que não é!

De qualquer sorte, para a esquerda e, sobretudo, para o PT e seus diretórios nos estados e municípios cabe a mobilização, o esclarecimento para o conjunto das pessoas acerca do que está acontecendo; sore que luta é essa; que interesses são esses e; a quem, de fato, interessa, a derrubada de um governo democraticamente eleito como o de Dilma Roussef.

A militância deve ser pedagógica, "fazer mais com menos" e daí promover seminários, encontros, debates públicos onde pontos-de-vista são expostos, debatidos, confirmados ou contraditos. Esse instante é de mobilização e não só nas ruas, mas nas universidades, sindicatos, praças e espaços diversos. É o nosso contributo para o fortalecimento de nossa democracia.

Gostaria muito que a esquerda e o PT da cidade onde vivo não deixassem de promover algo nesse sentido.

 

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