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Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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Exclusivo: Escândalo envolvendo Jeffrey Epstein chega à Faria Lima

Bilionário que comandou rede de prostituição e pedofilia tem CPF ativo no Brasil, associado ao telefone de um dos mais famosos escritórios de advocacia

Fachada do prédio onde funciona o escritório de advocacia e Jeffrey Epstein (Foto: Divulgação)

O escândalo Jeffrey Epstein, que abala o mundo político e também o de celebridades, chegou à Faria Lima. Um dos escritórios mais requisitados por bancos e outras instituições financeiras é citado várias vezes nos arquivos daquele que comandou uma das maiores redes de prostituição e pedofilia do mundo. Trata-se da banca Machado Meyer Sendacz e Opice Advogados, que tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Nova Iorque.

Nos arquivos de Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, o escritório aparece como destinatário de várias transferências em dinheiro, duas delas significativas. Uma é de 76 mil dólares em abril de 2003, referente à compra de um imóvel em condomínio da Bahia, o Aptin Brasil. A outra é de 18,3 mil dólares e, segundo registro do JP Morgan bank, se refere ao valor de entrada para a compra de um galpão de aço.

Não há nada de ilegal na conduta de advogados que intermediam negócios,desde que sejam lícitos, mas a história começa a ficar estranha quando se descobre Jeffrey Epstein tem um CPF no Brasil, o 229.873.x.x.x.-21, e a Receita Federal registra como seu telefone pessoal o do escritório de advocacia na Faria Lima, e como endereço pessoal uma sala na rua da Consolação.

Também está errado o nome da mãe. Aparece no registro brasileiro Paula Stofolofsky Epstein, mas, na verdade, o nome dela era Pauline (Paula era uma corruptela). Estranho também é que a Receita Federal do Brasil tem o CPF de outro Jeffrey Epstein, o 752.106.x.x.x-72, filho de Aillen Feldman Epstein, doze anos mais jovem que o Epstein apontado como protagonista de uma rede de prostituição e pedofilia.

Pode ser um homônimo, mas uma pesquisa no Google indica que este segundo Jeffrey Epstein mora na Carolina do Norte. Por que teria um CPF no Brasil? No caso do primeiro Epstein, verifica-se que ele fez dezenas de negócios imobiliários no Brasil, e um deles foi a transferência de uma casa para a modelo Ana Maria Gomes de Macedo em 2005, quando ela tinha 28 anos de idade.

Jeffrey nunca morou no Brasil, e morreu em 2019, numa prisão em Nova Iorque, cometendo suicídio, segundo a Polícia. No entanto, o CPF dele continua ativo no Brasil. O do outro Jeffrey também está ativo e ambos têm conta no sistema Gov.br, que permite a assinatura de documentos.

Com essas revelações, o escândalo Epstein ganha mais um tentáculo importante, para além da rede de prostituição e pedofilia, e obriga as autoridades brasileiras a abrirem uma investigação.

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O escritório de advocacia Machado Meyer Sendacz e Opice Advogados foi procurado, relatei o caso à assessoria de imprensa, mas ele ainda não se manifestou. Assim que divulgar nota ou um porta-voz der entrevista, a reportagem será atualizada.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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