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Conselho da Europa suspende imunidade de ex-secretário-geral citado em investigação ligada a Epstein

Decisão abre caminho para apuração na Noruega sobre suspeita de corrupção envolvendo Thorbjorn Jagland

Jeffrey Epstein em registro policial 28/3/2017 Divulgação via REUTERS (Foto: Divulgação via REUTERS)

247 - O Conselho da Europa, que reúne 46 países membros, anunciou nesta quarta-feira (11) a suspensão da imunidade diplomática do ex-secretário-geral da instituição, o norueguês Thorbjorn Jagland, citado em investigações relacionadas ao criminoso sexual estadunidense Jeffrey Epstein. A medida abre caminho para o avanço de investigação conduzida pela polícia da Noruega, que apura suspeitas de corrupção agravada envolvendo Jagland. As informações são da RFI.

O ex-dirigente ocupou o cargo máximo do Conselho da Europa entre 2009 e 2019 e mantinha imunidade mesmo após o fim do mandato para atos praticados no exercício da função. Segundo a investigação, Jagland manteve relações com Epstein ao longo da década de 2010, período em que também presidia o comitê responsável pela concessão do Prêmio Nobel da Paz.

Defesa afirma cooperação com investigação

O atual secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, afirmou que a suspensão permitirá "que a justiça norueguesa faça seu trabalho e que Jagland, caso seja processado, possa se defender". A defesa de Thorbjorn Jagland afirmou que a decisão já era prevista e declarou que o norueguês "vai cooperar com a investigação" e que ele leva "o caso muito a sério", mas sustenta que "não há nenhum fato penalmente condenável".

Documentos citados pelo jornal norueguês Verdens Gang, com base em materiais divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, indicam que Jagland teria solicitado a Epstein garantia para a compra de um apartamento. O desfecho do pedido não é conhecido. O ex-diretor, atualmente com 75 anos, declarou que todos os financiamentos imobiliários foram obtidos junto ao banco norueguês DNB.

Hospedagem em imóveis de Epstein e viagem cancelada

Documentos também indicam que ele se hospedou em imóveis de Epstein em Nova York, em 2018, e em Paris, em 2015 e 2018. Ainda segundo os registros, ele e familiares chegaram a planejar viagem, em 2014, para a ilha pertencente ao criminoso, mas o deslocamento foi cancelado. No passado, Jagland afirmou que sua relação com Epstein era "um aspecto normal de uma atividade diplomática". No início de fevereiro, declarou ao jornal Aftenposten que havia cometido "um erro de julgamento" ao manter essa relação.

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