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Trump teria dito a chefe policial em 2006 que "todos sabiam" dos crimes de Epstein

Declaração aparece em resumo de entrevista do FBI incluída em arquivos do caso

Uma foto sem data de Jeffrey Epstein com Donald Trump, divulgada pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA em 12 de dezembro de 2025. (Foto: Divulgação)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria dito em 2006 a Michael Reiter, chefe de polícia de Palm Beach na época dos fatos, que "todos sabiam" dos crimes de Jeffrey Epstein. Segundo a agência Reuters, o registro aparece no resumo de uma entrevista feita pelo FBI em 2019 com Reiter. O material integra milhões de arquivos relacionados a Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos após aprovação de uma lei bipartidária.

Trump já afirmou diversas vezes que desconhecia os crimes cometidos por Epstein, morto em 2019 em um caso classificado oficialmente como suicídio, e disse que rompeu relações com o financista antes da primeira prisão dele. Donald Trump teria telefonado para Reiter em julho de 2006, quando vieram a público as primeiras acusações criminais contra Epstein. O presidente dos EUA teria dito ao chefe policial: "Ainda bem que você está parando ele, todos sabiam que ele fazia isso."

Relatos sobre Ghislaine Maxwell e resposta oficial

O documento também aponta que Trump teria dito que Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso sexual, era "maligna". Ainda segundo o registro, Trump teria relatado que esteve com Epstein em um ambiente onde havia adolescentes e que ele "saiu imediatamente dali". Reiter, que se aposentou em 2009, confirmou ao jornal Miami Herald os detalhes da entrevista concedida ao FBI.

Procurado sobre o conteúdo, o Departamento de Justiça declarou: "Não temos conhecimento de qualquer evidência corroborada de que o presidente tenha contatado autoridades policiais há 20 anos." A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump foi "honesto e transparente" ao tratar do fim da relação com Epstein. Sobre a ligação citada, ela declarou: "Foi uma ligação que pode ou não ter acontecido em 2006. Eu não sei a resposta para essa pergunta."

Secretário de Comércio envolvido em questionamentos

Também nesta terça-feira (10), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, foi questionado durante audiência no Senado sobre sua relação com Epstein. Arquivos do Departamento de Justiça incluem e-mails que indicam que Lutnick pode ter visitado a ilha privada de Epstein no Caribe em 2012. As revelações geraram pedidos de renúncia de parlamentares republicanos e democratas.

Durante a audiência, Lutnick declarou: "Eu sei, e minha esposa sabe, que eu não fiz absolutamente nada de errado em qualquer aspecto possível." Os e-mails contradizem declarações anteriores de Lutnick de que ele teria decidido em 2005 não voltar a ver Epstein.

Parlamentares democratas apresentaram nesta terça-feira (10) um projeto para facilitar ações judiciais de vítimas adultas de tráfico sexual contra abusadores, mesmo muitos anos após os crimes. A proposta recebeu o nome de Lei da Virginia, em referência a Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, que morreu por suicídio no ano passado.

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