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Arquivos de Epstein expõem vítima de 9 anos e ampliam denúncias de acobertamento

Documentos do Departamento de Justiça dos EUA reacendem pressão política por transparência sobre nomes influentes ligados ao esquema de abuso sexual

Jeffrey Epstein (Foto: Divulgação via Reuters)

247 - A divulgação e análise de documentos não editados ligados ao financista Jeffrey Epstein trouxeram à tona uma revelação chocante: a existência de uma vítima de apenas nove anos de idade no esquema de abusos sexuais investigado pelas autoridades norte-americanas. A constatação foi feita por parlamentares que revisam milhões de arquivos liberados recentemente e voltou a alimentar acusações de que figuras poderosas teriam sido protegidas ao longo das investigações.

Segundo o parlamentar democrata Jamie Raskin, os documentos mostram referências a vítimas cada vez mais jovens, indicando a gravidade e a extensão do esquema. “— Você lê sobre meninas de 15, 14, 10 anos. Hoje vi a menção a uma menina de nove anos. Isso é simplesmente escandaloso —”, afirmou Raskin 

Além da idade das vítimas, os congressistas apontam indícios de censuras seletivas que teriam protegido identidades de homens influentes citados nos autos. O deputado republicano Thomas Massie declarou que um dos documentos faz referência a alguém que ocupa um cargo “bastante alto em um governo estrangeiro”, cujo nome foi ocultado sem justificativa clara. Já o democrata Ro Khanna questionou a lógica das tarjas aplicadas, observando que rostos e imagens de pessoas públicas aparecem censurados, enquanto não há explicações formais para essas omissões.

Os parlamentares analisam cerca de três milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Department of Justice) no mês passado. Ainda assim, estimativas apontam que o governo norte-americano mantém sob custódia outros três milhões de documentos relacionados ao caso Epstein, o que reforça a pressão política por uma liberação mais ampla do material.

Diante das críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que parte das censuras foi removida recentemente. Segundo ele, os trechos ocultados diziam respeito, em muitos casos, à proteção legal de vítimas de crimes sexuais. “— Revelamos todos os nomes que não eram de vítimas. O Departamento de Justiça está comprometido com a transparência —”, escreveu Blanche em uma publicação nas redes sociais.

O avanço da revisão documental ocorre em paralelo ao silêncio de Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein. Condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual, ela foi convocada a depor sob juramento em uma penitenciária no Texas, mas invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos e se recusou a responder às perguntas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.

Entre os arquivos que tiveram censuras parcialmente retiradas, um dos documentos menciona um e-mail enviado a Epstein contendo a frase “adorei o vídeo de tortura”. De acordo com Todd Blanche, o nome do remetente aparece sem ocultação e seria do empresário emiradense Sultan Ahmed Bin Sulayem, já citado anteriormente nos autos do processo.

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