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Dalai Lama é citado mais de 150 vezes nos arquivos de Epstein

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA revelam referências ao líder tibetano em e-mails e registros ligados ao financista

O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, oferece bênçãos aos seus seguidores em sua residência no Himalaia, na cidade montanhosa de Dharamshala, no norte da Índia, em 20 de dezembro de 2024 (Foto: REUTERS/Priyanshu Singh)

247 - O nome do Dalai Lama aparece mais de 150 vezes no novo conjunto de documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A liberação do material ocorre no âmbito da chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e inclui milhões de páginas, vídeos e imagens ligados às investigações.

Uma busca preliminar nos arquivos disponibilizados no site do Departamento de Justiça indica 157 menções ao líder budista tibetano nos registros tornados públicos.

Entre os documentos há um e-mail datado de domingo (21), de outubro de 2012, no qual Epstein comunica a um contato que participaria de um evento em uma ilha não identificada, onde o Dalai Lama também estaria presente.

Outro e-mail, enviado no domingo (10), de maio de 2015, menciona articulações envolvendo o líder religioso. Na mensagem encaminhada a Epstein, lê-se: “Sim. O primeiro passo seria encontrar Tenzin. Seu aluno que dirige o centro do Dalai Lama e agora é bolsista do diretor no Laboratório e vai iniciar a ‘iniciativa de ética’ no Media Lab. Estamos trabalhando em algumas coisas interessantes, como uma reunião sobre máquinas cognitivas e o homem. Acho que você provavelmente vai gostar dele. Ele pode nos apresentar ao Dalai Lama.”

No dia seguinte, segunda-feira (11), de maio de 2015, Epstein escreveu em outra mensagem: “Estou trabalhando com Dalai Lama para um jantar.”

Até o momento, o escritório do Dalai Lama não se pronunciou publicamente sobre as referências contidas nos documentos recém-divulgados.

Em julho do ano passado, o jornalista e consultor norte-americano Michael Wolff, que atuou como conselheiro de Epstein, afirmou em um podcast apresentado por Joanna Coles, do Daily Beast, que encontrou o Dalai Lama na residência de Epstein, em Manhattan. Questionado por Coles — “Você realmente encontrou o Dalai Lama na casa de Jeffrey Epstein?” — Wolff respondeu: “Sim, de fato”, acrescentando que diversas figuras conhecidas frequentavam o local.

Nascido Tenzin Gyatso, o Dalai Lama tem 90 anos e foi anunciado no domingo (data não especificada no material original) como vencedor do Grammy por seu audiolivro Meditações: reflexões de Sua Santidade o Dalai Lama.

O líder budista também esteve no centro de controvérsias recentes. Em 2023, um vídeo mostrou o momento em que ele pediu a um jovem estudante que “chupasse minha língua”, episódio que gerou forte repercussão pública.

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça incluem mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens relacionadas a Epstein. O material reúne fotografias, transcrições de júri e registros investigativos, embora muitas páginas permaneçam com trechos ocultados.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual envolvendo menores. As autoridades classificaram a morte como suicídio.

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