MPF abre notícia-crime contra Jessé Souza por antissemitismo
O sociólogo afirmou que Jeffrey Epstein teria sido financiado pelo “lobby judaico”
247 - O sociólogo Jessé Souza passou a ser alvo de uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público Federal (MPF) após declarações feitas em vídeo publicado nas redes sociais, nas quais associou o criminoso sexual Jeffrey Epstein a um suposto “lobby judaico”. O conteúdo foi divulgado na última segunda-feira (9) e posteriormente apagado. As infromações são do jornal O Globo.
A representação foi protocolada pelo deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e pelo coordenador nacional do MBL, Renato Battista. Eles pedem que o MPF avalie a abertura de inquérito policial ou o processamento criminal do sociólogo.
No vídeo, Jessé Souza afirmou que Epstein seria o “produto mais perfeito do sionismo judaico”, que definiu como a “força motriz por trás de todos os crimes que foram cometidos”. Também declarou: “A rede de pedofilia só existe para servir depois para a chantagem de Israel em relação a políticos e bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina”, sem apresentar evidências.
As declarações provocaram reação de integrantes da comunidade judaica, que apontaram teor antissemita nas falas. No documento encaminhado ao MPF, os autores da notícia-crime sustentam que o sociólogo extrapolou os limites da crítica política ao Estado de Israel e dirigiu acusações ao povo judeu como um todo. Segundo os signatários, Souza “deu uma versão delirante, dizendo que estava claro que o escândalo foi promovido pelo Estado de Israel, com o objetivo de chantagear os políticos e empresários que usaram os serviços criminosos de Epstein”.
Em outro trecho do vídeo, o escritor afirmou que “o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com ajuda de Hollywood e de toda a mídia mundial” e declarou que “assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo”.
Procurado, Jessé Souza afirmou que não acusou indivíduos ou coletividades, mas sim uma “estrutura de poder”. O sociólogo reconheceu que errou ao não distinguir adequadamente as expressões “lobby sionista” e “judaico” e informou que retirou o vídeo do ar após constatar o equívoco. Ele também reiterou sua indignação diante do que classificou como “completo silêncio durante dois anos sobre o genocídio palestino”


