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MPF acusa Rodrigo Manga de comandar esquema na saúde de Sorocaba e pede ressarcimento milionário

Denúncia aponta corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Rodrigo Manga (Foto: Reprodução )

247 – O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), a esposa dele, Sirlange, e outras 11 pessoas sob suspeita de integrar, direta ou indiretamente, uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos em contratos municipais da área da saúde. O grupo é acusado de crimes como corrupção, peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro, e o caso tramita sob segredo de Justiça.

As informações foram reveladas em reportagem da Folha de S.Paulo, que teve acesso à denúncia apresentada no fim de janeiro e detalhou trechos do documento, além das manifestações das defesas. A partir de agora, cabe ao Judiciário decidir se aceita ou não a denúncia — e, se isso ocorrer, os acusados se tornam réus e passam a responder a processo criminal.

Prefeito afastado desde novembro e denúncia que amplia o cerco

Rodrigo Manga está afastado do cargo desde novembro, por decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), tomada ainda durante a fase de apuração. O MPF sustenta que ele teve papel central no esquema e o descreve como “peça-chave” na engrenagem investigada, apontando que as condutas teriam se consolidado a partir de contratos celebrados na gestão municipal.

Segundo a denúncia, o processo envolve contratos com a organização social Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação), e o MPF afirma ainda apurar outros potenciais desvios que podem gerar novas ações. Além das responsabilizações penais, os procuradores pedem medidas patrimoniais e reparatórias: confisco de bens, ressarcimento dos valores supostamente desviados e indenização de R$ 7 milhões à União e ao município de Sorocaba — metade para cada um, de acordo com o pedido.

A origem da investigação e a suspeita de contratos direcionados

O caso, conforme narrado na denúncia, teria sido descoberto “por acaso”. O nome de Manga apareceu durante investigações conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em apurações semelhantes, na esteira das eleições de 2020. Um áudio interceptado pela promotoria gaúcha apontaria para uma reunião entre um investigado e Manga, recém-eleito, e a informação teria sido repassada a São Paulo, dando origem à apuração local.

No centro do enredo estão dois contratos entre a gestão municipal e o Iase. O primeiro teria sido firmado sem licitação, com base em uma emergência que, segundo o MPF, não existia. O segundo passou por concorrência, mas a acusação sustenta que o edital já estaria direcionado para favorecer a organização social.

A denúncia menciona um diálogo que reforçaria a tese de direcionamento. Em um áudio citado no documento, o então secretário de Administração de Sorocaba, Fausto Bossolo, conversa com outra pessoa sobre o resultado do chamamento público. Antes de saber quem havia vencido, ele diz: "Estou suando frio". Ao receber a informação, escreve que "fico mais tranquilo então" e também "susto da porra" — numa referência à possibilidade de o Iase não ter ganho o contrato. O ex-secretário também foi denunciado, e a defesa afirmou ter confiança de que provará a inocência dele, sustentando que a contratação do Iase não passou pela pasta de Administração.

Como o MPF descreve o fluxo do dinheiro e a suspeita de notas fraudulentas

De acordo com o MPF, os desvios teriam ocorrido por meio de contratos fraudulentos firmados entre o Iase e empresas com as quais a organização social negociava. Parte dessas fornecedoras, segundo a acusação, teria ligação com a diretoria da entidade. Um exemplo citado é o de uma empresa de engenharia cujo sócio teria familiares em conselhos da organização social.

A denúncia sustenta que essa fornecedora teria emitido notas fraudulentas e movimentado mais de R$ 10 milhões ao longo do período analisado. O documento também registra que a empresa chegou a ser administrada pelo presidente do Iase, Sérgio Peralta. Procurada, a defesa dele informou que vai se manifestar exclusivamente nos autos, "por confiar no Poder Judiciário e em razão de se tratar de processo submetido a segredo de justiça". Já o Iase negou irregularidades e disse que demonstrará que as alegações “não passam de suposições”.

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