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Conib acusa Jessé de Souza de reproduzir estereótipos antissemitas

Entidade afirma que ex-presidente do IPEA generalizou ações individuais e usou expressões como “lobby judaico” e “supremacismo judaico” em vídeos nas redes

Bolsonaro tenta sua última cartada. (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

247 – A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou uma nota pública condenando o que classificou como “uso de estereótipos e generalizações antissemitas” por Jessé de Souza, sociólogo, advogado, escritor, professor da UFABC e ex-presidente do IPEA. O texto da Conib sustenta que o autor teria recorrido à visibilidade acadêmica e ao alcance nas redes sociais para difundir conceitos que, segundo a entidade, carregam ódio contra judeus.

De acordo com a Conib, em vídeos publicados online, Jessé de Souza teria atribuído “responsabilidade coletiva às ações de um indivíduo”, vinculando a culpa a um grupo étnico-religioso por meio de expressões apresentadas pela entidade como típicas de generalização e estigmatização. A nota afirma que foram usados termos como “sionismo judaico”, “lobby judaico”, “supremacismo judaico” e “Holocausto judeu cafetinado pelo sionismo”. Os vídeos de Jessé Souza, posteriormente apagados, se referiam a Jeffrey Epstein.

O que a Conib diz ter ocorrido nas redes

No trecho central de sua manifestação, a Conib descreve uma sequência de postagens e alterações feitas após a reação pública às falas atribuídas ao ex-presidente do IPEA. Segundo a entidade, após ser “flagrado”, Jessé de Souza teria removido o conteúdo do ar e o substituído por um novo material, no qual teria mudado o foco do ataque.

A Conib afirma: “Flagrado, retirou o conteúdo do ar e o substituiu por um novo ataque aos judeus, agora demonizando ‘apenas’ os sionistas”. Na interpretação apresentada pela entidade, essa mudança não elimina o problema, mas reorganiza o alvo dentro de uma moldura que, historicamente, pode resvalar em preconceitos.

A nota faz questão de delimitar o significado do termo “sionismo” para o debate público, definindo-o como a “defesa da autodeterminação do povo judaico e o direito a um Estado”. Ao adotar essa explicação, a Conib busca sustentar que a demonização genérica de “sionistas”, quando feita de forma totalizante e essencialista, pode operar como substituto contemporâneo de estereótipos antissemitas.

Da crítica política ao estereótipo: onde a entidade aponta a fronteira

Um ponto-chave do comunicado é a acusação de que o conteúdo atribuído a Jessé de Souza teria cruzado a fronteira entre crítica política e generalização contra um grupo identitário. A Conib diz ser “lamentável” que um intelectual com projeção pública utilize sua presença no debate para difundir ideias que, segundo ela, se baseiam na culpabilização coletiva.

O trecho de abertura da nota é direto: “É lamentável que Jessé de Souza – sociólogo, advogado, escritor, professor da UFABC e ex-presidente do IPEA – use a sua projeção na vida acadêmica e nas redes sociais como plataforma para disseminação de conceitos carregados de ódio contra judeus”. Ao empregar essa formulação, a entidade enquadra o caso como exemplo de disseminação de preconceito em linguagem contemporânea, capaz de circular rapidamente em ambientes digitais e de ganhar aparência de crítica “estruturada” por vir de uma figura pública.

A Conib também aponta que, ao atribuir “responsabilidade coletiva” a judeus, o conteúdo descrito na nota estaria reproduzindo um mecanismo histórico de perseguição: transformar indivíduos ou ações pontuais em prova de culpa de um povo inteiro. Esse tipo de construção, destaca a entidade, alimenta suspeição permanente e legitima ataques simbólicos, sociais e políticos.

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