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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Escândalo "Toffoli-Master" contamina sucessão presidencial

"Nesse tempo de inteligência artificial, marqueteiros da oposição vão deitar e rolar", diz César Fonseca

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Divulgação/Banco Master)

Presidente Lula acendeu sinal vermelho.

Ele sabe que a direita e a ultradireita fascista jogarão no colo dele o "Escândalo Toffoli".

Elas manipularão os fatos, porque foi Lula que indicou o ministro Dias Toffoli para o STF.

Os indícios e desconfianças de corrupção aumentaram com decisão do ministro de colocar o assunto sob sua jurisdição, monocraticamente.

Porque ele fez isso, é o que todos perguntam.

Nesse tempo de inteligência artificial, marqueteiros da oposição vão deitar e rolar.

Por isso, o presidente teria pedido, entre seus pares, a cabeça de Toffoli.

O magistrado ultrapassou os limites em relações suspeitas com advogado do dono do Master, Daniel Vorcaro.

Também pairam denúncias de envolvimento de parentes de Toffoli em fundo de investimento que teria aplicado em resort associado ao Master.

A reputação de muita gente está indo para o espaço.

Exemplo: governador Ibaneis, do DF, com o qual Vorcaro disse ter encontrado diversas vezes, embora o executivo do GDF negue.

O BRB, com autorização de Ibaneis, comprou papel podre do Master, cerca de R$ 12,2 bilhões.

Se tentar disputar eleição para o Senado, como vinha sendo cogitado, perde.

O presidente do STF, ministro Fachin, saiu em defesa de Toffoli, num primeiro momento.

Mas, na sequência, viu que se desmoralizaria.

Pede Código de Ética para tentar consertar o estrago.

Nessa altura do campeonato, seria a saída, com a porta já arrombada?

A posição de Fachin é, implicitamente, de clara desconfiança por trás da sua reivindicação.

O STF está rachado.

O ministro Gilmar Mendes saiu em defesa de Toffoli: ele teria cumprido todos os rituais jurídicos necessários à condução do caso, disse.

Fachin chama atenção para perigo de interferência de outros poderes na atuação do STF.

Se demorarem, serão considerados coniventes.

O Congresso está desmoralizado.

O caso das emendas parlamentares e o orçamento secreto, urdidos pelos próprios parlamentares, é escândalo tão grande quanto o do Banco Master.

Para este ano, os congressistas reservaram para si, no orçamento, verbas de R$ 61 bilhões!

Com esse dinheirão, comprarão votos que garantirão à maioria conservadora e reacionária de direita e ultradireita fascista a continuidade do status quo.

Quanto ao executivo, o presidente Lula disse a interlocutores do mercado que a providência técnica já foi tomada: liquidação do Master pelo BC.

O problema técnico, porém, vira, em campanha eleitoral, no ambiente da IA, tema eminentemente político.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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