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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Faria Lima mira Moraes após queda de Toffoli no Master

O afastamento de Toffoli da relatoria virou senha para um passo acima, transformar um caso de suspeição e crise institucional em campanha política de “expurgo”

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

A Faria Lima entrou no modo “tira-ministro” e, depois de emparedar Dias Toffoli no caso Banco Master, passou a mirar Alexandre de Moraes, relator do 8 de janeiro e do processo que condenou Jair Bolsonaro (PL). O Blog do Esmael apurou que a extrema direita adotou como lema interno: não basta tirar Toffoli do caso, é preciso tirá-lo do Supremo Tribunal Federal (STF), e, em seguida, abrir fogo coordenado contra Moraes.

A cronologia ajuda a entender o salto. Nesta quinta-feira (12), Toffoli saiu da relatoria do caso Master após menções ao seu nome em dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, segundo nossos registros anteriores. A investigação foi redistribuída para André Mendonça, e os ministros divulgaram nota endossando Toffoli e afirmando a validade dos atos praticados.

Nos bastidores, o afastamento de Toffoli da relatoria virou senha para um passo acima, transformar um caso de suspeição e crise institucional em campanha política de “expurgo” no STF.

Os oligarcas do sistema financeiro e a velha mídia corporativa, ao comemorarem a queda de Toffoli no caso Master, passaram a vocalizar uma lógica de boiada, onde passa um boi passa uma boiada, isto é, se caiu um, cai o outro, numa escalada que tenta transformar pressão política em método para emparedar ministros do Supremo.

O Blog do Esmael apurou que o lavajatismo, somado ao bolsonarismo, tenta colar uma ideia simples na opinião pública: se deu para encurralar um ministro no caso Master, dá para impor o mesmo método contra outros, inclusive por fora dos autos, na arena da pressão.

A artilharia contra Moraes junta duas frentes.

A primeira é política: Moraes concentra a relatoria do 8 de janeiro e conduziu o voto que balizou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, conforme relatamos anteriormente nesta página.

A segunda é reputacional e financeira: desde o final de 2025, virou munição pública o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Banco Master, amplamente noticiado, com valores de R$ 129 milhões, segundo essas reportagens.

O resultado é um ataque “casado”: tenta-se deslegitimar o ministro por fora, enquanto se reorganiza a narrativa política por dentro, como se o STF fosse obstáculo eleitoral, e não guardião da Constituição.

Segundo apurou o Blog do Esmael, a ofensiva não para na biografia de ministros. O objetivo prático é criar ambiente para acelerar uma campanha pela libertação de Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2026, antes das eleições de outubro.

O movimento ganha força porque a própria defesa do ex-presidente mantém disputa pública de narrativa desde a condenação, e recursos continuaram a ser apresentados, como registrou o Blog do Esmael ao relatar a rejeição de mais um recurso pela relatoria.

Crítica a decisões é normal em democracia. O problema é quando a crítica vira projeto de intimidação institucional, com roteiro de “remove um, depois remove outro”, sempre mirando quem tocou no coração do 8 de janeiro e da responsabilização pela tentativa de golpe.

Quando o mercado vira partido e a extrema direita vira método, o Estado de Direito é quem paga a conta.

A democracia não se defende atacando o árbitro porque ele apitou contra o golpismo. Se a política brasileira aceitar esse atalho, o próximo passo é a barbárie institucional, com insegurança jurídica, chantagem e impunidade seletiva.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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