Alexandre de Moraes deve ser alvo de novo relatório da PF sobre o caso Master
Documento em elaboração reunirá diálogos apreendidos com executivos do Master e pode agravar a situação do ministro após saída de Toffoli da relatoria
247 - A Polícia Federal prepara um novo relatório sobre o caso Banco Master, desta vez reunindo informações e diálogos apreendidos que citariam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é que o documento, ainda em fase de liberação interna, seja encaminhado ao STF como parte do avanço das investigações envolvendo o controlador do banco, Daniel Vorcaro, segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, na segunda-feira (9), um relatório sobre conexões entre Dias Toffoli e Vorcaro. O gesto pavimenta o caminho para uma segunda etapa: o envio de um novo documento ao Supremo compilando tudo o que foi encontrado pela PF no material recolhido com executivos do Banco Master envolvendo Moraes.
Andrei Rodrigues já teria confidenciado a Fachin que Moraes trocava mensagens com o banqueiro. O ministro também seria citado diversas vezes em conversas encontradas no celular do controlador do banco, inclusive em diálogos que tratariam de pagamentos.
O caso se tornou ainda mais sensível após revelações anteriores sobre um suposto contrato firmado entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O documento previa o pagamento de R$ 130 milhões ao longo de três anos para a atuação na defesa dos interesses do banco em diferentes órgãos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Até o momento, não foram encontradas evidências de que Viviane tenha prestado os serviços.
O relatório específico sobre Moraes, no entanto, ainda não estaria liberado para ser entregue diretamente a Fachin. A avaliação apontada na publicação é que, se o documento fosse encaminhado ao ministro Dias Toffoli — então relator do caso Master — haveria grande chance de arquivamento, já que Toffoli teria adotado medidas consideradas incompatíveis com a orientação investigativa da Polícia Federal no inquérito.
Moraes e Toffoli vinham atuando de forma coordenada, tanto em manifestações públicas quanto nos bastidores do Supremo. Nos últimos dias, Moraes teria se destacado como o principal defensor de Toffoli na Corte, mesmo diante do avanço das informações que teriam tornado a situação do colega insustentável.
Na reunião reservada de ministros que discutiu o caso e culminou com o afastamento de Toffoli da relatoria, Moraes teria sido o integrante que mais defendeu o colega, segundo o relato publicado.
Com a saída de Toffoli, o processo foi redistribuído por sorteio e passou para o ministro André Mendonça. A mudança de relatoria altera o rumo da investigação e aumenta a preocupação de Moraes, já que suas chances de sair ileso do avanço das apurações diminuiriam com a chegada do novo relatório da Polícia Federal ao STF.


