Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado
Davi Alcolumbre poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco
247 – O Senado Federal reúne atualmente mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo análise publicada na Coluna do Estadão, o ministro Dias Toffoli passou a enfrentar, pela primeira vez, a possibilidade concreta de ter seu afastamento analisado pela Casa.
De acordo com a colunista Roseann Kennedy, do jornal Estado de S. Paulo, o cenário é descrito como uma “tempestade perfeita”, combinando investigações, desgaste institucional e tensões entre os três Poderes da República.
Embora Alexandre de Moraes seja o recordista em número de representações, é Toffoli quem se encontra em situação mais delicada neste momento. A avaliação publicada aponta que o ministro aparece cada vez mais envolvido no caso do Banco Master, cujo desdobramento passou a atingir diretamente sua imagem dentro e fora do Supremo.
Caso Banco Master e pedido da Polícia Federal
A situação ganhou novos contornos após vir a público que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli em razão de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme relatado na coluna, foram encontradas conversas entre o empresário e o ministro em celular apreendido pela PF. Também teriam sido identificadas menções a Toffoli em trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros.
Segundo o texto, Toffoli nega relações de amizade e comerciais com o banqueiro.
O episódio ampliou o mal-estar dentro do Supremo Tribunal Federal e agravou o desgaste político do ministro. A publicação destaca que interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam que Toffoli “não é bem quisto”, o que reduziria sua base de apoio em um eventual processo no Senado.
Desgaste com Legislativo e Executivo
A análise também ressalta que, no Legislativo, Toffoli coleciona desafetos, especialmente por ter instaurado de ofício o inquérito das Fake News, apontado como marco do que foi chamado de “hipertrofia” do poder do Supremo. Além disso, seus votos considerados decisivos para desmontar a Operação Lava Jato teriam ampliado resistências políticas.
No Executivo, segundo a coluna, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que indicou Toffoli ao STF em 2009 — carregaria mágoas antigas, além de um desentendimento recente ocorrido em reunião sobre o caso Master.
Em ano eleitoral, o texto destaca que a desconfiança da sociedade em relação à conduta de instituições como o STF, o Banco Central e a Polícia Federal não favorece o governo e pode fortalecer a oposição.
Possíveis impactos no STF
A eventual abertura de processo de impeachment contra Toffoli teria repercussões diretas na composição do Supremo. Uma eventual cassação abriria nova vaga na Corte. De acordo com a análise, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira já existente no STF.


