Queda de Toffoli do próprio STF é cenário que não pode ser descartado
Entre os cenários considerados, um dos mais citados é a possibilidade de que Toffoli seja levado a “renunciar” ou solicitar aposentadoria antecipada
247 – A permanência do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser tratada como incerta diante do avanço das investigações relacionadas ao chamado caso Master. Segundo informações publicadas pelo JOTA, dados encaminhados pela Polícia Federal (PF) ao presidente da Corte, Edson Fachin, sobre a ligação de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro ampliaram a crise e abriram um novo patamar de pressão institucional.
De acordo com a reportagem, o impacto das informações levadas pela PF não se limita à relatoria do caso. A situação pode levar não apenas ao afastamento de Toffoli do processo, mas também ameaçar sua permanência no cargo. Ainda que o ministro insista em não abrir mão da relatoria, o desgaste político e institucional já está consolidado.
Pressão sobre a PGR e risco de suspeição
O caso também pressiona o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar andamento ao pedido de suspeição apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). Conforme o JOTA, Gonet já arquivou três dos quatro pedidos protocolados, sob o argumento de que se tratam de iniciativas semelhantes.
A nova rodada de informações, agora respaldada pelo diretor-geral da PF, altera o ambiente político. A avaliação é de que fica mais difícil sustentar a tese de que se tratam apenas de ataques ao Supremo ou à sua atividade jurisdicional.
Relação com banqueiro investigado amplia desgaste
A reportagem destaca que a relação de um ministro da Suprema Corte com um banqueiro investigado é vista como elemento suficiente para impulsionar pedidos de impeachment no Congresso Nacional. O episódio transborda os limites do Judiciário e passa a ter efeitos diretos na dinâmica entre os Poderes.
Não é a primeira vez que Toffoli e a PF entram em rota de tensão. No início do ano, o ministro solicitou esclarecimentos ao diretor-geral da corporação após demora na execução de uma operação contra investigados do Master.
Planalto vê cenário delicado, mas evita impeachment
No Palácio do Planalto, segundo o JOTA, a avaliação é de que a situação do ministro se torna progressivamente mais delicada a cada nova revelação. Interlocutores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que Toffoli não teria uma “rede de apoio” consolidada nem dentro do STF nem nos demais Poderes.
Apesar disso, o governo não demonstra interesse em estimular um processo de impeachment no Congresso. A avaliação é de que a abertura desse precedente poderia gerar instabilidade institucional e atingir outros ministros, como Alexandre de Moraes, frequentemente alvo do bolsonarismo por sua atuação como relator nos processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Aposentadoria antecipada entra no radar
Entre os cenários considerados no ambiente político, um dos mais citados é a possibilidade de que Toffoli seja levado a “renunciar” ou solicitar aposentadoria antecipada caso surjam novos e robustos indícios de envolvimento no escândalo do Master. Essa alternativa evitaria um confronto direto entre Legislativo e Judiciário por meio de um processo formal de impeachment.
O tema ganhou contornos eleitorais. Parte do Congresso vê na crise uma oportunidade de afirmação política. Embora o principal alvo de setores da direita seja Alexandre de Moraes, um eventual afastamento de Toffoli poderia funcionar como demonstração de força do Legislativo sobre o Supremo.
Alcolumbre no centro da decisão
Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conduzir qualquer eventual pedido de impeachment contra ministro do STF. Segundo a análise publicada pelo JOTA, ele não é conhecido por decisões precipitadas e poderia postergar qualquer deliberação para depois de outubro, quando já estará definido o perfil da próxima legislatura.
A depender da composição do Senado, sobretudo com eventual ampliação da presença bolsonarista, o cálculo político pode mudar. Alcolumbre tem sido pressionado por parlamentares para abrir processo contra Alexandre de Moraes, algo que até o momento descarta. A evolução do caso Master, contudo, adiciona um novo elemento à equação.
Outro fator político mencionado é que um eventual afastamento abriria nova vaga no Supremo, o que poderia alterar o equilíbrio institucional e até reduzir tensões entre o Executivo e o Senado em torno de futuras indicações à Corte.


