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Reunião que decidiu afastar Toffoli do caso Master teve momentos de tensão e críticas à Polícia Federal

Reunião de mais de três horas teve debate sobre investigação, críticas à PF e articulação para conter crise política no Supremo

Dias Toffoli - 12/02/2026 (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - A reunião que definiu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria da investigação envolvendo o Banco Master foi marcada por discussões consideradas tensas e por manifestações de solidariedade dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, que durou mais de três horas, também incluiu críticas à atuação da Polícia Federal (PF) e articulações para conter o impacto político do episódio.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, em relato do jornalista Gustavo Uribe, com base em descrições de participantes e interlocutores que acompanharam a reunião.

Segundo os relatos, o encontro começou com um debate sobre mensagens encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Diante das evidências apresentadas, Toffoli teria respondido ponto a ponto e reforçado o argumento já sustentado publicamente de que os recursos recebidos foram devidamente declarados à Receita Federal.

Na sequência, os ministros passaram a discutir qual seria o melhor encaminhamento para a arguição de suspeição que havia sido levantada contra Toffoli. De acordo com as informações repassadas à CNN Brasil, o grupo chegou a um consenso de que a melhor alternativa seria arquivar o procedimento, estratégia vista como uma forma de reforçar o discurso de defesa do magistrado e, ao mesmo tempo, apresentar uma reação institucional à crise.

O ambiente, no entanto, teria se tornado mais delicado quando a permanência de Toffoli na relatoria entrou em discussão. Ainda segundo os relatos, o ministro resistiu inicialmente à possibilidade de deixar o caso. Mesmo assim, integrantes próximos a ele acabaram se alinhando ao entendimento apresentado pelo presidente do STF, Edson Fachin, de que o afastamento poderia funcionar como uma medida de proteção à imagem pública do próprio Toffoli.

Durante o encontro, também houve críticas à Polícia Federal por ter conduzido investigações envolvendo um ministro da Suprema Corte sem autorização judicial. Conforme descrito nas conversas relatadas à CNN Brasil, a avaliação compartilhada por integrantes do tribunal era de que a pressão e o avanço das apurações não cessariam enquanto Toffoli permanecesse na condução do processo.

Diante desse cenário, o ministro concordou em deixar a relatoria da investigação. Após a decisão, Toffoli teria recebido manifestações de solidariedade dos demais integrantes do Supremo, em um contexto em que ministros avaliaram que, mesmo após a saída de Jair Bolsonaro do Palácio do Planalto, a Corte continua sendo alvo recorrente de críticas vindas do meio político.

A escolha do ministro André Mendonça como novo relator, definida por sorteio, foi bem recebida internamente. Apesar de não integrar o grupo de aliados de Toffoli, Mendonça foi descrito como um nome moderado e visto como alguém que não tende a tomar decisões capazes de ampliar desgastes ou prejudicar a imagem do Poder Judiciário.

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