HOME > Brasília

STF critica PF por investigar Toffoli sem decisão judicial prévia

O ministro deixou a relatoria do caso Master após a Polícia Federal entregar um relatório ao Supremo sobre Daniel Vorcaro, com menções ao magistrado

Supremo Tribunal Federal (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestaram críticas à atuação da Polícia Federal (PF) na apuração que envolveu o ministro Dias Toffoli, apontando que a investigação teria sido conduzida sem autorização judicial prévia. A informação foi publicada nesta quinta-feira (12) na coluna da jornalista Mônica Bergamo.

Segundo a publicação original, a PF encaminhou o resultado da apuração ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. No mesmo dia, Dias Toffoli deixou a relatoria do processo que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Críticas à condução da investigação

Relatos atribuídos a integrantes da Corte indicam desconforto com o procedimento adotado pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça comentou o caso, segundo a coluna, afirmando: “Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”.

Outro integrante do STF, ouvido pela publicação, foi ainda mais enfático ao questionar a iniciativa da PF. “Não foi acidental, um encontro fortuito com indícios. Fizeram uma investigação à revelia do STF, e não poderiam fazer isso”, declarou. O mesmo ministro acrescentou: “Não entregaram um material bruto à Corte. Toffoli foi efetivamente investigado”.

Relatório entregue ao presidente do STF

A Polícia Federal encaminhou a Edson Fachin um relatório que apresenta troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel. Nas conversas, segundo o documento, os dois discutem pagamentos destinados à empresa Maridt Participações, da qual Toffoli é sócio.

As informações passaram a ampliar a controvérsia em torno do ministro, sobretudo após a divulgação de dados que relacionam familiares do magistrado a pessoas mencionadas nas investigações sobre fraudes financeiras. De acordo com a PF, o esquema sob apuração pode ter movimentado pelo menos R$ 17 bilhões.

Sociedade empresarial e negativa de recebimento

Dias Toffoli integra o quadro societário da Maridt Participações, empresa que realizou operações com um fundo administrado pela Reag, apontada como ligada ao Banco Master. O ministro reconheceu sua participação societária, mas negou ter recebido valores pagos por Daniel Vorcaro.

Diante do cenário e das críticas institucionais, o processo foi redistribuído, passando à relatoria do ministro André Mendonça. O caso Master segue sob análise no Supremo Tribunal Federal, enquanto os desdobramentos das investigações continuam em curso.

Artigos Relacionados