Feminicídio segue tragédia impune
Quando se trata do fundamental direito à vida, a condição feminina exibe uma inaceitável rotina de violência, crime e impunidade
Entre tantas tragédias nacionais, o feminicídio permanece como uma das mais antigas e persistentes.
O dado mais recente, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, informa que 1350 mulheres foram assassinadas entre janeiro e novembro de 2025 -- número superior a três homicídios por dia, sem falar em casos de agressão e violência que antecipam novos crimes em um futuro próximo.
Cabe registrar. Há décadas que o feminicídio produz tragédias permanentes nas famílias do país, num quadro de violência e impunidade incompatíveis com um padrão básico de existência civilizada.
Há pelo menos 50 anos, quando o país experimentou um avanço nos debates sobre os direitos e a proteção das mulheres, essa tragédia deixou o ambiente de dor e segredo das famílias para se tornar assunto de conhecimento público, a ser debatido e enfrentado com responsabilidade e coragem.
Era possível imaginar que, exposta e debatida em ambientes públicos, gerando vergonha e constrangimento em seus responsáveis, a violência contra as mulheres andasse para trás.
Meio século mais tarde, é possível reconhecer mudanças positivas na condição social feminina, como direito ao estudo, ao trabalho, a uma vida independente.
Mas os dados objetivos são implacáveis e devem servir de advertência e estímulo para se combater uma criminalidade vergonhosa e inaceitável. Quando se trata do fundamental direito à vida, a condição feminina exibe uma inaceitável rotina de violência, crime e impunidade.
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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



