Fim da jornada de trabalho 6x1: por que a redução da jornada é o próximo passo para o Brasil
Entre mitos econômicos e evidências internacionais, reduzir a jornada surge como resposta à crise de saúde mental e à modernização do trabalho no país
O debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil costuma ser atropelado por uma “política do medo”. De um lado, setores da direita e da extrema-direita argumentam que a mudança geraria desemprego em massa e colapso econômico. Do outro, a realidade global e os dados de saúde pública sugerem que manter o modelo atual é, na verdade, o que está custando caro ao país.
E há o eloquente exemplo que vem de fora. Enquanto o fantasma da crise é agitado por aqui, nações europeias muito desenvolvidas, como Alemanha, Bélgica e Irlanda, já testam ou implementaram modelos de jornada reduzida com resultados surpreendentes.
O caso da Irlanda é emblemático. Longe de quebrar, as empresas que participaram dos testes viram:
- aumento de 37,55% nas receitas, desafiando a lógica de que “menos horas trabalhadas significam menos lucro”;
- retenção de talentos: queda drástica no número de demissões voluntárias;
- saúde ocupacional: redução significativa nos pedidos de afastamento por doença;
E há o drama silencioso da saúde mental no Brasil. Não podemos falar de economia ignorando o capital humano. Em 2025, o Brasil registrou a cifra impressionante de mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais. Este número não é apenas uma estatística de saúde, é um prejuízo bilionário para a Previdência e para a produtividade das empresas.
A exaustão física e mental — o já conhecido “burnout” — está intrinsecamente ligada a escalas que privam o trabalhador do convívio familiar, do lazer e até da gestão de necessidades básicas, como ir ao médico ou resolver pendências bancárias e cuidar de assuntos vitais.
Por que a mudança é boa para todos?
Ainda que combatida com argumentos ridículos pelas forças do atraso e por adversários mentirosos, a lógica é simples:
- Para a empresa: funcionários descansados cometem menos erros, são mais criativos, produzem exponencialmente mais e faltam menos;
- Para o trabalhador: qualidade de vida significa tempo para ser pai, mãe, estudante e cidadão. Trocando em miúdos: viver melhor, com saúde e felicidade;
- Para o Estado: menos pressão sobre o sistema de saúde pública e maior circulação de renda no setor de serviços e lazer durante os dias de folga. Um ganho extraordinário para o Brasil!
Um ponto crucial, destacado por estudos do Grupo Transforma (UNICAMP), é o impacto desproporcional da escala 6x1 sobre as mulheres. Ao somar a exaustão da escala seis por um com o acúmulo das tarefas domésticas e de cuidado, o sistema atual impõe uma carga de trabalho quase insustentável às brasileiras. O estudo tem conclusão categórica: “O Brasil está pronto para trabalhar menos”.
Defender o fim da escala 6x1 não é uma pauta radical. É uma pauta de modernização.
Assim como é uma urgência regulamentar a carga horária dos professores e professoras, garantindo, no mínimo, 20 horas/aula em sala de aula e 20 horas/aula para atendimento aos alunos, pais, elaboração de aulas e provas, correção de provas, preenchimento dos vários sistemas, estudos etc.
O governo do Estadista Lula tem forte compromisso com a implantação da jornada que irá melhorar a vida de nossa imensa classe trabalhadora e modernizar a vigorosa economia brasileira. Sigamos em frente!
Não existe prosperidade econômica real que se sustente sobre o esgotamento humano, exigindo o sofrimento físico e mental das pessoas. O mundo já entendeu que o tempo é o ativo mais precioso do século XXI.
Resta saber se o Brasil terá a coragem de evoluir ou se continuará preso a um modelo de produtividade do século passado.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



