Marco Damiani avatar

Marco Damiani

Marco Damiani é jornalista e consultor na área de comunicação

10 artigos

HOME > blog

Flavio Bolsonaro perdeu a condição de sair às ruas

Sobre ele recaem como uma luva acusações formais de associação ao crime organizado

Flávio Bolsonaro (Foto: Ton Molina /Agência Senado)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

Já tem bilhete reservado para entrar para a história a estratégia eleitoral do ainda pré-candidato miliciano-entreguista Flavio Bolsonaro.

Em apenas 15 dias, FB encontrou e percorreu, com o pé na tábua, o caminho mais curto para reverter uma situação de empate técnico nas pesquisas, em relação ao presidente Lula, para a de nem mais poder sair às ruas sem ser alvo de apupos. Em qualquer logradouro, de qualquer cidade, de qualquer estado do País.

Desafiado está.

Contra si, FB despertou os brios do povo e endereçou uma reeleição em primeiro turno para o presidente, ainda que faltem quatro meses e uma Copa do Mundo para a ida às urnas.

Ele espetou no próprio peito o broche de inimigo número 1 da soberania nacional. Forjou uma verdadeira frente ampla de asco e rejeição contra si mesmo. Uniu em sua oposição, com tempo recorde, das favelas à Faria Lima, como observou um arguto comentarista no universo TikTok.

Não há quem tenha saído em defesa da estratégia de submissão proposta por FB, de modo tosco, ao secretário de Estado Marco Rubio, dos Estados Unidos, que, por sua vez, induziu Donald Trump a mais um erro crasso. Deve, agora, estar bem contrariado o senhor da guerra, por conta do novo mau conselho.

O Brasil se uniu na vaia, menos Ronaldo Caiado (RC), ok, mas essa exceção é compreensível.

Depois de ser flagrado em associação criminosa com o maior malfeitor da economia popular brasileira desde 1500, Daniel Vorcaro (DV), FB consumou o que se pode chamar de auto-nocaute político.

Na direita, não há quem o queira por perto, nem Tarcísio de Freitas (TF), nem Silas Malafaia (SM), nem Rodrigo Constantino (RC), nem o até agora calado Carluxo (cC). Virou personagem tóxico.

FB bradou desde a capital americana pela classificação, por parte do governo ianque, das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Conseguiu. Porém, confirmando a percepção generalizada no Brasil, vídeos, áudios e fotos dele em articulações com os chefes criminosos e seus sustentáculos — leia-se, entre outros, o suspeito ex-governador fluminense Cláudio Castro (CC) — dimensionaram o tamanho do paradoxo de Washington.

O resultado é uma goleada contra em pleno andamento.

Fazia tempo que a gente brasileira, de todas as classes e regiões, não se unia tão rápida e firmemente.

Lembrando aqui, a campanha das Diretas, em 1984, mobilizou nacionalmente, em especial as camadas médias, mas isso levou pelo menos uns seis meses para ganhar nitidez nos históricos comícios daquele tempo patriótico e festivo.

Recordem o que recordem — da campanha do Petróleo é Nosso, entre as décadas de 1940 e 1950, à genuína consternação pelas perdas de Tancredo Neves, em 1985, e de Ayrton Senna, em 1994 —, fazia tempo que nada nem ninguém contribuíra tanto e tão diretamente para a união nacional quanto o FB. Ele reduziu, a olhos vistos, a polarização. Convenhamos, que feito extraordinário!

A maior estultice do filho 01 de Jair Bolsonaro, no entanto, pode ter sido a de não ter feito como o brother 03, Eduardo Bolsonaro (EB). Mais seguro para ele seria ter ficado de uma vez nos EUA. Estão aí os exemplos de sucesso de Alexandre Ramagem (AR), protegido pela administração trumpista, e do próprio EB.

Por aqui, além de protagonizar o maior vexame político dos últimos tempos, Flavio Bolsonaro corre o risco de, ali na frente, ir em cana, a exemplo do que tem acontecido com chefões e chefetes do crime organizado, reconhecidos por vulgos e siglas, captaram?

Sobre o FB recaem como uma luva acusações formais, por exemplo, de associação ao crime organizado, no caso Bozomaster, e pela relevante atuação internacional lesa-pátria.

Se balançou, mas não caiu, a partir da revelação do conluio com DV, FB conseguiu implodir em 15 dias o que lhe sobrara de sustentação política. Na dúvida, ele pode pagar para ver praticando uma caminhada em uma rua qualquer.

Em poucos dias, aposte-se, será um ex-pré-candidato miliciano-entreguista — e assim entrará para a história.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados