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Chico Teixeira

Historiador e professor titular da UFRJ

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Guerra no Irã e a fome no mundo

Conflito eleva custos globais de alimentos, agrava a fome e amplia desigualdades entre países ricos e pobres

Trump e Netanyahu em Tel Aviv - 13/10/2025 (Foto: Reuters)

A etapa atual do conflito no Irã, com a destruição e paralisação da produção de gás e petróleo, força um grave aumento nos preços dos alimentos em todo o mundo. Hoje, cerca de 673 milhões de pessoas passam fome no mundo, em especial na África (20%), na América Latina (5,2%) e no Sul da Ásia (9,0%). No entanto, a insegurança alimentar pode chegar a próximo de 800 milhões de pessoas, incidindo dramaticamente sobre a mortalidade infantil, com um repunte de 16 mil mortes diárias na África subsaariana e no Sul da Ásia, detendo uma tendência de queda registrada depois de 1990.

A guerra atual, ao destruir fontes e meios de transporte de gás e diesel, tem um impacto monstruoso sobre o preço dos alimentos, causando inflação nos países mais avançados e fome nos países pobres ou em regiões de insegurança alimentar, mesmo em países ricos, como África do Sul, Nigéria e Brasil. O transporte mundial de alimentos é feito em navios e caminhões movidos a óleo diesel, como no Brasil — cerca de 3,5 milhões de veículos no país —, e a frigorificação ocorre com energia de termoelétricas ou a diesel, como nos navios, encarecendo a produção, conservação e distribuição de alimentos em todo o mundo.

Além disso, incide sobre o preço dos fertilizantes, muito dependentes do petróleo para a produção e distribuição. A guerra é, pois, uma preocupação global, com impactos para além do Oriente Médio e da Ásia. Devemos agradecer a Trump e Netanyahu pelo aumento da fome no mundo e a morte de milhares de crianças que jamais ouviram falar de Trump.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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