HOME > Brasil

Lula critica "bandidos" que lucram com a alta dos combustíveis e cobra governadores

"Neste país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe", disparou o presidente

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: REUTERS/Aris Martinez)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) o aumento dos preços dos combustíveis no Brasil e afirmou que há exploração abusiva por parte de agentes econômicos. A declaração foi feita durante a 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, onde o chefe do Executivo também relacionou a alta dos preços ao cenário internacional e cobrou medidas dos governos estaduais.

Durante o discurso, Lula detalhou ações do governo federal para conter o impacto da alta do petróleo e responsabilizou setores do mercado por aumentos considerados injustificados. As falas ocorreram no evento que reuniu gestores públicos e autoridades federais.

Lula relaciona crise a conflito internacional

O presidente afirmou que o cenário econômico poderia ser mais favorável não fosse a escalada de tensões internacionais. Segundo ele, o aumento do preço do petróleo está diretamente ligado a um conflito envolvendo o Irã.

Lula relatou episódios de sua atuação diplomática em 2010, quando buscou mediar um acordo sobre o programa nuclear iraniano. "Em dois dias fizemos um acordo, assinado publicamente, divulgado fartamente", afirmou, ao mencionar tratativas com o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e negociações com os Estados Unidos e a União Europeia.

Ele criticou a postura das potências internacionais à época e voltou a defender o respeito à soberania dos países. "A gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial dos países", declarou.

Alta do petróleo pressiona preços no Brasil

De acordo com Lula, o aumento do preço do barril de petróleo — que teria passado de cerca de US$ 70 para US$ 110 — impacta diretamente o custo dos combustíveis. O governo, segundo ele, adotou medidas para conter repasses ao consumidor.

"A gente não vai permitir que a guerra no Irã traga prejuízo ao povo brasileiro", disse, citando a decisão de zerar tributos como PIS e Cofins e propor subsídios para importadores.

Apesar disso, o presidente afirmou que houve aumento de preços sem justificativa. "Não aumentou apenas o preço do diesel. Aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã. Aumentou o preço da gasolina, que ainda não tinha por que aumentar", declarou.

Críticas a abusos e ação de fiscalização

Lula adotou tom duro ao comentar os reajustes. "Significa que neste país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, com a fome dos pobres, com a miséria dos outros", afirmou.

O presidente disse que o governo acionou órgãos de fiscalização para investigar práticas abusivas. "Colocamos a Polícia Federal, a Receita Federal, os Procon para ir atrás de quem está aumentando de forma abusiva o preço do diesel", destacou.

Ele também ressaltou que não é aceitável transferir os custos da crise internacional para trabalhadores. "Não é possível transferir para o caminhoneiro o preço da guerra no Irã", disse.

Cobrança a governadores sobre ICMS

O presidente defendeu que os governos estaduais também adotem medidas para reduzir o impacto dos preços. Segundo ele, há espaço para isenção do ICMS sobre combustíveis.

"Os governadores poderiam fazer uma isenção do ICMS para não permitir o aumento. E o governo federal ainda se dispõe a devolver metade da isenção que eles fizerem", afirmou.

Lula acrescentou que é necessário esforço conjunto para evitar que a alta dos combustíveis afete o custo de vida da população. "Temos que fazer um sacrifício para tentar evitar que essa guerra chegue ao prato do povo brasileiro", declarou.

Apelo internacional por paz

O presidente também relatou conversas recentes com líderes internacionais, incluindo Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, além de integrantes do Conselho de Segurança da ONU.

Ele cobrou atuação mais efetiva do organismo para conter conflitos. "Está na hora de vocês convocarem uma reunião", afirmou, ao mencionar os países que compõem o conselho.

Lula criticou os gastos militares globais e o cenário internacional. "Temos 763 milhões de pessoas passando fome no mundo, milhões sem energia elétrica, sem educação, e esses homens gastaram no ano passado US$ 2,7 bilhões em guerras. Que desgraça de mundo é essa que a gente está vivendo?", concluiu.

Artigos Relacionados