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Haddad anuncia saída da Fazenda e destaca pacto federativo como "o segredo" da economia

Ministro afirma que cooperação entre União, estados e municípios foi decisiva para crescimento, queda do desemprego e controle da inflação no país

03.03.2026 - Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quinta-feira (19) sua saída do comando da pasta, durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo. Em discurso de despedida, ele atribuiu os resultados econômicos recentes à reconstrução do pacto federativo, ressaltando a articulação entre União, estados e municípios como fator determinante para o desempenho do país.

A declaração foi feita em discurso oficial durante o evento, no qual Haddad também agradeceu ao Congresso Nacional, governadores e prefeitos pelo apoio na aprovação de medidas econômicas. Segundo ele, a cooperação institucional foi essencial para superar dificuldades herdadas e impulsionar indicadores como crescimento, emprego e inflação.

Ao se despedir, o ministro enfatizou o papel do Legislativo na condução das políticas econômicas. Ele relatou visitas recentes ao Congresso, onde agradeceu aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, pelo empenho na aprovação de propostas. “Ontem tive a alegria de visitar a Câmara e o Senado [...] para agradecer o empenho que foi feito pelo Congresso em aprovar as medidas econômicas necessárias para trazer o Brasil até aqui”, afirmou.

Haddad destacou que a retomada do pacto federativo foi central para os resultados alcançados. “Sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós não teríamos chegado até aqui”, declarou. Ele associou esse processo ao crescimento econômico acima da média da década anterior, à redução do desemprego ao menor nível da série histórica do IBGE e ao controle da inflação acumulada entre 2023 e 2026.

O ministro também citou avanços no campo tributário, como a reforma aprovada com amplo apoio no Congresso e a decisão de isentar do Imposto de Renda trabalhadores com renda de até R$ 5 mil. Segundo ele, a compensação da arrecadação foi feita com a cobrança de impostos sobre rendimentos de super-ricos que antes eram isentos.

Outro ponto abordado foi o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê a renegociação de débitos estaduais com a União. Haddad afirmou que a iniciativa permitiu recuperar a capacidade de investimento dos entes federativos. “Ele não queria mais ver governador indo a Brasília com o pires na mão”, disse, ao se referir à orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No discurso, Haddad também mencionou a ampliação do financiamento por meio do BNDES e a autorização para captação de recursos externos, medidas que, segundo ele, contribuíram para a retomada de obras e novos investimentos em estados e municípios.

Ao comentar o ambiente político, o ministro afirmou que, apesar das divergências, houve convergência em torno de pautas prioritárias. “Quero dar um testemunho: o atual presidente da República determinou a todos os seus ministros que olhássemos para o interesse da população”, declarou.

Por fim, Haddad reforçou que a cooperação federativa deve continuar orientando as decisões políticas e econômicas do país. “Não podemos perder de vista a recuperação do pacto federativo. Foi o segredo do crescimento dos anos 2002-2010 e está sendo o segredo do crescimento da nossa economia agora”, concluiu.

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