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João Paulo Lima e Silva

João Paulo Lima e Silva é economista, doutorando em Educação e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi o primeiro prefeito negro e operário do Recife, eleito em 2000 e reeleito em 2004, em primeiro turno. Presidiu a Frente Nacional de Prefeitos por dois mandatos e foi deputado federal e superintendente da Sudene. Exerce atualmente seu quinto mandato como deputado estadual pelo PT de Pernambuco.

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Hora de unir forças para reeleger Lula

Momento exige convergência de esforços em torno da defesa do projeto liderado pelo presidente Lula, colocando o futuro do país acima de disputas regionais

Presidente Lula (Foto: Ricado Stuckert / PR)

A vitória do presidente Lula na eleição deste ano será o fato político mais importante desde a redemocratização do Brasil. Ela poderá empurrar de vez o bolsonarismo para a lata de lixo da história, afastando com mais intensidade o perigo do retorno dos fascistas à Presidência. Por outro lado, uma derrota de Lula e das forças democráticas que o apoiam permitirá que a extrema direita volte ainda mais truculenta ao poder, como temos visto ocorrer no governo de Trump nos EUA, desde sua reeleição. 

Diante dessa encruzilhada histórica não resta dúvida: precisamos somar forças para garantir a vitória da civilização contra a barbárie, da democracia contra o autoritarismo, da perspectiva de futuro contra o obscurantismo. Na prática, isso significa agregar ao redor de nosso presidente o máximo de apoio possível, seja da esquerda, do centro ou da parcela liberal e democrática da direita. 

Por isso, em Pernambuco tenho defendido um amplo arco de apoios e palanques em favor da reeleição do presidente Lula. Se em cada palanque competitivo do estado tivermos candidaturas ao governo ou ao senado inclinadas e abertas a Lula, é nosso dever dialogar, insistir, abrir negociações, esgotar as possibilidades para que essa inclinação se consolide como apoio até a definição final do processo eleitoral. Se negar a fazer isso e simplesmente atuar para isolar o presidente em torno de poucos atores, empurrando outros palanques para longe dele, é ir contra o grande objetivo de reelegê-lo. E essa não é uma eleição para demarcar posição; é uma eleição para salvar o Brasil. 

As últimas pesquisas nacionais têm mostrado um cenário acirrado, com o candidato da extrema direita empatando com Lula no segundo turno. Os números confirmam o que todos já sabíamos: é no centro-sul do país e no Sudeste que o fascismo ganha gordura eleitoral. Isso reafirma ainda mais a importância de cada apoio, de cada voto conquistado para Lula no Nordeste, e no nosso caso, aqui em Pernambuco. Mais uma vez caberá à região o papel decisivo na definição do resultado. Por isso, o momento exige convergência de esforços em torno da defesa do projeto liderado pelo presidente Lula, colocando o futuro do país acima de disputas regionais de poder. 

Durante toda minha trajetória eu sempre me dediquei à defesa de um projeto progressista, democrático e igualitário, capaz de resgatar as pessoas da pobreza, garantindo dignidade e direitos aos que mais precisam. Minha origem simples e minha formação no movimento operário ao lado dos trabalhadores, os ensinamentos que tive em meu contato pessoal com Paulo Freire, com Dom Hélder, com Lula e tantos outros companheiros e companheiras verdadeiramente humanistas, me formaram politicamente e definiram meus compromissos. 

Assim como Lula e como a maioria do povo brasileiro, eu sei o que é crescer na pobreza, o que é molhar os pés na lama de uma enchente, ser maltratado pelos patrões e viver outros tantos tipos de privações. Assim como ele, me mantive fiel a essa origem durante toda a minha vida política. Quando cheguei à prefeitura do Recife, como primeiro peão de fábrica a se tornar prefeito da cidade, sofri todo tipo de preconceito de classe e de raça, embora naquela época esse segundo tipo não despertasse a indignação que felizmente desperta hoje. Mas isso não me fez negar minha origem. Pelo contrário, eu me orgulho de não vir da Casa Grande, de poder olhar no olho de cada trabalhador e reconhecer neles minha identidade. 

Tanto na Prefeitura do Recife, onde fui o primeiro prefeito a ser reeleito, como em meus mandatos enquanto deputado federal e estadual, minha prioridade continua a mesma: cuidar das pessoas mais vulneráveis. Garantir educação de qualidade aos filhos da periferia, garantir segurança a quem mora no morro, dignidade e direitos aos trabalhadores, casa digna a quem vivia em palafitas e na rua, combate à violência contra as mulheres com ações inovadoras, acesso a alimentação, escuta popular e cultura, pois o povo não quer só comida; quer ser ouvido, ter diversão e arte.  Muito mais que somente um mísero dia para descansar. 

Tudo isso reafirma em mim uma certeza: só há uma chance de nós seguirmos construindo esse Brasil, de seguirmos mantendo acesa a chama de milhões de brasileiros que, como eu em minha juventude, só precisam de uma oportunidade. Esse caminho é a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano. Uma vitória para afastar o fascismo e abrir o caminho para a defesa de uma democracia que garanta liberdade, mas também a universalização de condições dignas de vida aos milhões de brasileiros e brasileiras que precisam do Estado e depositam sua esperança em nosso projeto de país. 

Como todo militante disciplinado e comprometido com essas causas, tenho ido, sem medo, para a linha de frente da estratégia e da luta necessária para a consolidação de mais uma vitória do presidente Lula, dando minha contribuição para que o presidente siga forte aqui em nosso estado. Seguirei dedicando humildemente todos os esforços e insistirei até o fim ao vislumbrar qualquer possibilidade de apoio, de ampliação, de diálogo, de afirmação da força de Lula no maior número de candidaturas em Pernambuco. No que depender de mim o presidente sairá com a grande maioria dos votos dos pernambucanos, não importa quão alto seja o custo político resultante da dedicação a esse objetivo. Nada na minha vida política foi construído na zona de conforto.

É o futuro do país que está em jogo. E eu não irei titubear nem ceder a disputas menores diante desse imenso desafio histórico. O destino do Brasil e do nosso povo sofrido e trabalhador me importam muito mais. Vamos à luta por nossa gente e pela democracia. É Lula de novo, com a força do povo! 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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