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Tereza Cruvinel

Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

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Lula aceitará renúncia de Jaques Wagner

Lula deve aceitar renúncia de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado em meio às suspeitas ligadas ao banco Master

Jaques Wagner e Lula (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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“O senador Jaques Wagner é depositário de toda nossa confiança”, declarou o presidente do PT, Edinho Silva, embora externando todo apoio às investigações sobre o banco Master. Já o presidente Lula, segundo auxiliares, deve discutir com Wagner sua saída da liderança do governo no Senado. O próprio Wagner tomaria a iniciativa, alegando que o faz para preservar o governo e para dedicar-se à própria defesa em relação às suspeitas levantadas pela nona fase da Operação Compliance Zero.

Lula, de sua parte, segundo auxiliares, aceitaria a renúncia como decisão provisória, esperando que o aliado demonstre sua inocência e possa voltar a ocupar o cargo, ainda que na prática isso dificilmente possa acontecer. O presidente, de fato, não parece ter alternativa para evitar o dano potencial do escândalo. O mais provável substituto seria o senador Camilo Santana (PT-CE).

A medida seria semelhante à que adotou o ex-presidente Itamar Franco em 1993, quando seu chefe do Gabinete Civil, Henrique Hargreaves, foi investigado pela CPI do Orçamento. Demonstrada a improcedência das acusações, Hargreaves voltou ao cargo em 1994.

Lula tem com Jaques Wagner, a quem chama na intimidade de “Galego”, conhecida relação de amizade e confiança, mas nem por isso insistirá em mantê-lo numa função política de sua própria escolha. Como candidato à reeleição, esta seria uma decisão altamente inadequada no momento em que ele amplia a vantagem sobre o adversário Flavio Bolsonaro, gravemente atingido pelas relações espúrias mantidas com Daniel Vorcaro, mas enfrenta também os primeiros sinais de ingerência de Donald Trump na disputa em favor de Bolsonarinho e família. A hora é de blindagem, não de camaradagem.

Afora o escândalo, Jaques já enfrentava grande desgaste com setores palacianos por conta de algumas atitudes controversas na liderança. Por exemplo, o fato de não ter impedido a aprovação da lei da dosimetria, que facilitará a vida dos golpistas de 2023, e o de não ter prevenido o presidente de que o AGU Jorge Messias teria sua indicação para o STF rejeitada pelo Senado. Sua proximidade com Davi Alcolumbre também incomoda alguns governistas.

Nestas primeiras horas após a operação e o estrépito produzido pelas suspeitas contra Wagner, as mídias e redes digitais de extrema direita e seus principais líderes, a começar do próprio Flávio, estão se regozijando. Se até aqui as investigações sobre o Master haviam atingido quase que exclusivamente figuras da direita e da extrema direita, como Ciro Nogueira, Claudio Castro, Ibaneis Rocha, Hugo Motta e Alcolumbre, entre outros, agora um nome reluzente da esquerda foi alcançado por denúncias graves.

Vorcaro vai se confirmando como o tecelão de uma rede que alcançou políticos dos dois lados do espectro polar com suas cooptações criminosas.

A decisão do ministro André Mendonça autorizando a operação mencionou suspeitas de que Wagner tenha recebido do esquema Master, por meio de Augusto Lima, ex-sócio do banco, um apartamento, além de favores menores, e que a empresa da mulher de seu enteado tenha recebido valores elevados da maçaroca de fundos financeiros ligados a Vorcaro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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