Lula aceitará renúncia de Jaques Wagner
Lula deve aceitar renúncia de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado em meio às suspeitas ligadas ao banco Master
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda nossa confiança”, declarou o presidente do PT, Edinho Silva, embora externando todo apoio às investigações sobre o banco Master. Já o presidente Lula, segundo auxiliares, deve discutir com Wagner sua saída da liderança do governo no Senado. O próprio Wagner tomaria a iniciativa, alegando que o faz para preservar o governo e para dedicar-se à própria defesa em relação às suspeitas levantadas pela nona fase da Operação Compliance Zero.
Lula, de sua parte, segundo auxiliares, aceitaria a renúncia como decisão provisória, esperando que o aliado demonstre sua inocência e possa voltar a ocupar o cargo, ainda que na prática isso dificilmente possa acontecer. O presidente, de fato, não parece ter alternativa para evitar o dano potencial do escândalo. O mais provável substituto seria o senador Camilo Santana (PT-CE).
A medida seria semelhante à que adotou o ex-presidente Itamar Franco em 1993, quando seu chefe do Gabinete Civil, Henrique Hargreaves, foi investigado pela CPI do Orçamento. Demonstrada a improcedência das acusações, Hargreaves voltou ao cargo em 1994.
Lula tem com Jaques Wagner, a quem chama na intimidade de “Galego”, conhecida relação de amizade e confiança, mas nem por isso insistirá em mantê-lo numa função política de sua própria escolha. Como candidato à reeleição, esta seria uma decisão altamente inadequada no momento em que ele amplia a vantagem sobre o adversário Flavio Bolsonaro, gravemente atingido pelas relações espúrias mantidas com Daniel Vorcaro, mas enfrenta também os primeiros sinais de ingerência de Donald Trump na disputa em favor de Bolsonarinho e família. A hora é de blindagem, não de camaradagem.
Afora o escândalo, Jaques já enfrentava grande desgaste com setores palacianos por conta de algumas atitudes controversas na liderança. Por exemplo, o fato de não ter impedido a aprovação da lei da dosimetria, que facilitará a vida dos golpistas de 2023, e o de não ter prevenido o presidente de que o AGU Jorge Messias teria sua indicação para o STF rejeitada pelo Senado. Sua proximidade com Davi Alcolumbre também incomoda alguns governistas.
Nestas primeiras horas após a operação e o estrépito produzido pelas suspeitas contra Wagner, as mídias e redes digitais de extrema direita e seus principais líderes, a começar do próprio Flávio, estão se regozijando. Se até aqui as investigações sobre o Master haviam atingido quase que exclusivamente figuras da direita e da extrema direita, como Ciro Nogueira, Claudio Castro, Ibaneis Rocha, Hugo Motta e Alcolumbre, entre outros, agora um nome reluzente da esquerda foi alcançado por denúncias graves.
Vorcaro vai se confirmando como o tecelão de uma rede que alcançou políticos dos dois lados do espectro polar com suas cooptações criminosas.
A decisão do ministro André Mendonça autorizando a operação mencionou suspeitas de que Wagner tenha recebido do esquema Master, por meio de Augusto Lima, ex-sócio do banco, um apartamento, além de favores menores, e que a empresa da mulher de seu enteado tenha recebido valores elevados da maçaroca de fundos financeiros ligados a Vorcaro.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




