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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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Lula pode evitar desgaste por operação contra Wagner

Denúncias no Congresso e caso Master podem obrigar o mercado a rever apostas sobre o Centrão, analisa o colunista Leopoldo Vieira

Jaques Wagner e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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A operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, colocará à prova se a eventual ligação de um aliado petista ao caso do Banco Master será capaz de desgastar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No momento, ele não apenas se recuperou como "disparou" nas pesquisas eleitorais, se considerada a polarização acirrada dentro da margem de erro que vinha se estabelecendo.

Em linha com a postura que vem adotando diante de escândalos de corrupção — de defender a autonomia da PF e a apuração integral dos fatos —, o presidente pode expandir a reconstrução de sua imagem após a dinâmica denunciada por juristas como lawfare, isto é, o uso instrumental da lei para perseguição política. Esse posicionamento também é visto como um aceno ao eleitorado em disputa: independentes, indecisos, eleitores de centro e de direita não bolsonaristas, além da classe média democrática, que tem se afastado do senador Flávio Bolsonaro.

Lula sinalizou a esse público na cúpula do G7, quando incorporou a segurança pública à sua reconhecida agenda internacional, reuniu-se com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, defendeu o multilateralismo e, por consequência, os agentes econômicos brasileiros em meio ao novo tarifaço, além de rejeitar o pertencimento à esquerda radical.

Assim, a oposição terá de conseguir prolongar a sangria política de Wagner, conectando-a a Lula. Uma das diferenças entre a situação de Wagner e a do senador Bolsonaro é que o candidato da oposição aparece como principal nome para enfrentar o incumbente e foi flagrado tratando diretamente com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, ao mesmo tempo em que buscava canalizar o discurso contra "a corrupção do PT".

Portanto, o desafio de uma recuperação não é simples. Se não for possível se desvencilhar do caso Master e dobrar a aposta na interferência americana, Flávio aumentará gradualmente suas chances de derrota. Precisará, ainda, conciliar a mobilização de uma base mais radicalizada com a conquista de uma parcela decisiva do eleitorado que rejeita exatamente esse tipo de gesto.

Em manifestação contraproducente, o diretor do filme "Dark Horse", Cyrus Nowrasteh, disse esperar que a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro contribua para eleger seu filho, Flávio, à Presidência da República. A declaração reforça a percepção de um consórcio político entre o clã Bolsonaro e Vorcaro.

Como temos sustentado, quem conseguir capturar moralmente a bandeira anticorrupção tende a obter um diferencial relevante na disputa política, como sugeriram as pesquisas divulgadas após a revelação do envolvimento da candidatura oposicionista com o Master. Em paralelo, o presidente saiu ileso de crises que foram apontadas como fatais para sua competitividade, como as acusações contra seu filho e a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, conduzida pelo ex-governador Cláudio Castro para derrotar o Executivo Federal na pauta da segurança.

Em tempo: a aprovação de mais de R$ 200 bilhões em pautas-bomba pelo Senado, na esteira de denúncias de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, recebeu aportes milionários de Vorcaro, indica que o mercado financeiro deve recalibrar a aposta de que um Congresso com maioria de centro-direita, conduzido pelo Centrão, seria um freio automático à irresponsabilidade fiscal. Isso pode piorar com o senador Ciro Nogueira arrolado e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, entrando no radar do caso Master.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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