Lula reforça estabilidade na liderança após caso Wagner
Planos de Lula miram renda, crédito e pequenos negócios, enquanto a direita tenta conter crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro, pontua Leopoldo Vieira
A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira, reforça um cenário de estabilidade da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto, ainda que com leve desidratação dentro da margem de erro. Isso ocorre apesar da operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Jaques Wagner, recentemente afastado da liderança do governo. A tendência já havia sido identificada pelo levantamento PoderData na quinta-feira. No foco, estão os rumos do eleitorado em disputa, como independentes e indecisos, sobretudo do campo de centro e direita.
Em relação à rodada de 15 de junho da Nexus/BTG, o senador Flávio Bolsonaro subiu apenas 1 ponto percentual (de 43% para 44%), enquanto o presidente recuou dois pontos (de 49% para 47%) em uma simulação de segundo turno. Portanto, tanto o bolsonarista quanto o petista oscilaram dentro da margem de erro, de 2 pontos percentuais. Na PoderData, Flávio e Lula marcaram, respectivamente, 43% e 46%, repetindo o cenário de maio, porém com crescimento de apenas 1 ponto para o senador. Já na pesquisa Vox Brasil, divulgada no sábado, dentro de parâmetros semelhantes, o candidato da oposição subiu 1,5 ponto (de 41,3% para 42,8%), enquanto o incumbente caiu 2,5 pontos (de 47,8% para 45,3%) no segundo turno.
O Master é um assunto que fez o senador Bolsonaro cair na rodada anterior de pesquisas para além dos parâmetros observados na polarização. Também parece ter sido a causa indireta da oscilação de Lula nesses últimos levantamentos.
GUERRA DE MOVIMENTO ANTES DA LARGADA OFICIAL
No Congresso, o prazo exíguo antes do recesso parlamentar pode adiar para depois das eleições a votação, pelo Senado, de pautas prioritárias do governo, como o fim da escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o Marco Legal dos Minerais Estratégicos e a derrubada da "taxa das blusinhas". Apenas uma decisão do presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre, tem o condão de retomar essa agenda em agosto. No período recente, contudo, Alcolumbre foi acusado de receber R$ 155 milhões do Master e de solicitar blindagem ao chefe do Executivo diante da PF, conforme relatos da imprensa.
Diante da inflação do custo da governabilidade e do elevado risco reputacional embutido, o Palácio do Planalto tem a opção de apostar nos dividendos eleitorais e apontar, do presidente do Senado a aliados do senador Bolsonaro, como entraves a uma pauta de significativo apelo na opinião pública, já que envolve economia, segurança e soberania.
Nesta semana, acenando à sua base ideológica por meio de uma viagem à Argentina do conservador Javier Milei, a campanha da direita tentará superar a crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que pode afetar o desempenho da oposição entre as mulheres e o eleitorado em disputa. Em paralelo, Lula lançou um novo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Adimplentes, e enviou ao Congresso uma proposta para elevar o teto do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 140 mil. Medidas como essas vão ao encontro das demandas desse eleitorado em disputa, segundo especialistas, que veem esse público motivado a votar por um viés pragmático.
No radar, a pesquisa AtlasIntel, que deve sair entre terça e quarta-feira, além do próximo ciclo de Quaest e Datafolha, para confirmar se a corrida presidencial voltou ao patamar do empate técnico, mesmo que no limite da margem de erro, ou se preservará, para a cercania da largada oficial, uma vantagem mais ampla para Lula dentro dos parâmetros da polarização.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




