Investigado no caso Master, Jaques Wagner reafirma inocência: "vou desmontar essa mentira"
Senador recebeu o apoio do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues: “querem pegar Lula primeiro e usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula”
247 - O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a negar irregularidades no caso Master e afirmou que pretende provar sua inocência diante das suspeitas investigadas pela Polícia Federal, que apura pagamentos ligados ao banco de Daniel Vorcaro. A declaração foi feita neste sábado (27), durante ato político em Barreiras, no oeste da Bahia, segundo a Folha de São Paulo.
Wagner citou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à crise política provocada pela investigação. Ao falar ao público, o senador disse estar tranquilo e reproduziu uma frase que teria ouvido do presidente. “Eu estou muito tranquilo. O presidente Lula gosta de dizer: ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo.’ Eu sei o que eu fiz e vou desmentir a mentira que estão tentando construir contra a minha pessoa. Vou desmontar essa mentira”, afirmou Jaques Wagner.
Na sequência, o senador comparou sua situação à de Lula durante a Operação Lava Jato. Wagner disse que o presidente enfrentou uma injustiça “muito maior” ao permanecer preso por 580 dias em razão de condenações que tiveram provas anuladas posteriormente, em 2021.
O petista também afirmou que suas prioridades políticas continuam sendo demonstrar sua inocência, trabalhar pela reeleição de Lula e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), buscar um novo mandato no Senado e contribuir para eleger o ex-ministro Rui Costa (PT) para a mesma Casa.
O governador Jerônimo Rodrigues fez nova defesa pública de Wagner e classificou como injustas as suspeitas levantadas contra o senador. Para o chefe do Executivo baiano, o caso tem dimensão política e seria usado para atingir o presidente Lula. “É muita injustiça. Na verdade querem pegar Lula primeiro e usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula. Depois pegam uma pessoa que é um patrimônio nosso. Na história de Wagner, você nunca ouviu, em 20 anos, qualquer tipo de mácula aqui na Bahia que pudesse oferecer a ele um risco dizer que ele é desonesto”, declarou Jerônimo.
Jaques Wagner deixou na quarta-feira (24) o posto de líder do governo no Senado. A saída ocorreu após uma reunião de cerca de duas horas com Lula. Embora resistisse inicialmente à ideia de deixar a função, o senador afirmou que a decisão foi tomada em “comum acordo”.
A fase mais recente da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado do senador e secretário no governo de Jerônimo Rodrigues na Bahia.
Segundo os investigadores, houve um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Lima ao chamado “núcleo familiar” de Wagner. Para o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), esse repasse é apontado como um dos elementos que indicariam proximidade entre o empresário e o parlamentar.
As apurações também mencionam que Wagner teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Banco Master e ingressos para assistir a um show de uma “cantora internacional” em Los Angeles, em 2023.
Durante buscas em endereços vinculados ao senador, a Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros, valores que somam cerca de R$ 471 mil na cotação atual. Wagner criticou a divulgação de imagens das cédulas apreendidas no apartamento onde mora em Brasília.
Em entrevista à Folha de São Paulo, um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador afirmou ter reclamado com Lula sobre a forma como a Polícia Federal conduziu a operação, especialmente pela divulgação da foto com o dinheiro em moeda estrangeira. Para Wagner, a exposição das imagens contrariou a orientação do ministro André Mendonça, que determinou que a busca e apreensão fosse realizada “de forma discreta” em razão do “caráter sigiloso da investigação”.
Na mesma entrevista, Wagner reconheceu manter relação com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários. O senador também disse que os valores pagos pelo Banco Master à empresa de sua nora são superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados e sustentou que os recursos têm origem legal.
O caso segue sob investigação no STF, com a Polícia Federal apurando a origem dos pagamentos, a natureza da relação entre os envolvidos e eventuais vínculos com operações financeiras relacionadas ao Banco Master.



