Marina Silva relaciona investigação de Jaques Wagner à autonomia da PF
Pré-candidata ao Senado afirma que a PF atua com independência e que a Justiça deve assegurar ampla defesa
247 - Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado por São Paulo, afirmou que as investigações envolvendo integrantes do PT no caso Banco Master refletem a autonomia da Polícia Federal (PF) durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao SBT News, a ex-ministra afirmou que o andamento das investigações demonstra que não há tratamento diferenciado entre aliados do governo e integrantes da oposição.
Para ela, cabe à Polícia Federal conduzir as apurações, enquanto o Poder Judiciário deve garantir o devido processo legal. "Como demonstração dessa independência, não há dois pesos e duas medidas. Todos estão sendo investigados, e cabe à Polícia Federal conduzir as apurações que vão determinar o veredito. Há também uma diferença no governo do presidente Lula: ninguém é condenado a priori, seja do campo que está no poder ou da oposição. Todos terão direito à ampla defesa. As investigações serão feitas com todo o rigor, e aqueles que a Justiça concluir serem culpados também serão punidos com o mesmo rigor", afirmou.
Investigação levou à saída de Jaques Wagner
A declaração ocorre após o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixar a liderança do governo no Senado em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal. As apurações apontam indícios de que o parlamentar teria recebido benefícios indevidos para atuar em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Na quinta-feira (18), Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes relacionadas à instituição financeira e à rede de relações do empresário Daniel Vorcaro com autoridades e empresários.
Após a saída de Wagner da liderança governista, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi anunciada como nova líder do governo no Senado.
O que aponta a investigação
De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner teria recebido benefícios do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, enquanto mantinha interlocução sobre pautas de interesse da instituição financeira. Entre os elementos citados na investigação estão a compra de ingressos para familiares do senador em um show internacional realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, além da utilização de aeronaves particulares sem custos.
Durante o cumprimento de mandados de busca em endereços ligados ao parlamentar, em Brasília e na Bahia, a Polícia Federal apreendeu US$ 55 mil, cerca de R$ 282 mil, e € 33.500, aproximadamente R$ 197 mil.
Em sua defesa, Wagner afirmou que os valores apreendidos têm origem em diárias recebidas do Senado por missões oficiais no exterior, além de recursos próprios sacados para viagens particulares. Sobre um imóvel citado nas investigações, o senador declarou que possuía um acordo com Augusto Lima para compra na planta, com pagamento previsto para momento posterior.



