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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Moraes leva Bolsonaro à antessala da prisão domiciliar

O caso saiu da fase de pressão política e entrou para o Ministério Público, um passo que deveria ser anterior a uma decisão do relator, analisa Esmael Morais

Jair Bolsonaro, de costas, e Alexandre de Moraes (Foto: Antonio Augusto/STF)

Jair Bolsonaro (PL) entrou nesta sexta-feira (20) na antessala jurídica da prisão domiciliar depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu vista à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o pedido da defesa. O movimento aproxima o benefício, mas não autoriza dizer que a chave já virou: Bolsonaro continua internado na UTI do Hospital DF Star, com boa evolução clínica e sem previsão de alta.

O despacho desta sexta não concede a domiciliar. Moraes decidiu ouvir a PGR depois de receber os laudos e o prontuário médico enviados pelo hospital ao processo. Em linguagem menos técnica, o caso saiu da fase de pressão política e entrou na etapa formal de análise do Ministério Público, o passo imediatamente anterior a uma decisão do relator.

A defesa havia voltado a pedir a prisão domiciliar humanitária na terça-feira (17), alegando que o estado de saúde de Bolsonaro é incompatível com o ambiente carcerário. O pedido foi apresentado no âmbito da execução penal da condenação de 27 anos e 3 meses de prisão.

No hospital, porém, o quadro ainda é de vigília, não de desfecho. O boletim médico divulgado nesta sexta registrou boa evolução clínica e laboratorial, uso de antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. O dado que segura a euforia dos aliados é objetivo: não há previsão de alta da UTI neste momento.

É aí que mora o fato político desta sexta. Bolsonaro não ganhou a domiciliar, mas também deixou de estar apenas no terreno da especulação. Moraes puxou o caso para a mesa decisória ao acionar a PGR, e isso coloca o ex-presidente a um passo processual do benefício, embora ainda distante de uma conclusão médica ou judicial definitiva. Essa distinção importa porque separa o ruído de torcida do andamento real do processo.

Em Brasília, portanto, o tema continua forte, mas com o tamanho certo. Não é ainda uma manchete de soltura disfarçada, nem uma virada consumada no processo. O hospital não deu alta, Moraes não deu a domiciliar, mas a engrenagem judicial já começou a girar na direção de uma resposta formal. Tic-tac.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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