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Liana Cirne Lins

Professora da Faculdade de Direito da UFPE, doutora em Direito Público, mestra em Instituições Jurídico-Políticas e vereadora em Recife (PT-PE)

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Moro sai, com uma mão na frente e outra atrás

Moro vai entrar pra história como um dos maiores exemplos de justiça. Não a justiça da espada e da balança, é claro. Mas de justiça divina: aqui se faz, aqui se paga

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Vamos lá, de um pouco de especulação. Afinal de contas, é só o que se tem feito nos últimos dias. 

Na minha opinião, Moro não pediu demissão. Vazou que teria pedido. E são coisas muito diferentes. Explico. 

Em 2019, contam fontes informadas que Moro teria chorado na discussão com Bolsonaro por ocasião do mesmo embate acerca da demissão de Valeixo. 

Vocês devem lembrar que nessa época Bolsonaro estava decepcionado com Moro, por não "vestir a camisa" [da familícia] e ter publicado crítica à decisão de Dias Tofolli que beneficiava Flávio Bolsonaro no processo das rachadinhas. Bolsonaro achava que Moro não era leal, nem se empenhava na defesa "do governo". E foi nesse momento que Moro balançou pela primeira vez e teria chorado, pedindo pra ficar, no melhor estilo Marília Mendonça. 

Como um sujeito desses iria ser tomado de orgulho, de uma hora pra outra, e abrir mão do salário, do poder e da chance de ser ministro do STF?

Não acredito de jeito nenhum. Esses lavajatistas são, antes de tudo, dinheiristas. Um povinho medíocre, como toda a direita concursada, uns funcionários idênticos aos dos romances de Dostoievski. 

Moro teve um surto de grandeza, durante a lava-jato. Como ele era adversário direto de Lula - de quem deveria ter sido juiz - achou que a projeção que lhe era dirigida era todo mérito próprio (ah, esses filhotes da meritocracia). Mas não. Tudo era reflexo da projeção de Lula. E agora que ele não é mais o carrasco de Lula, lhe é dado o peso que tem: nenhum. 

Bolsonaro já percebeu tudo isso. E ontem, na queda de braço nas redes, percebeu que Moro já era. Moro é um fenômeno tipo Big Brother. Faz estardalhaço, mas logo todo mundo esquece. Por isso mandou Bia Kicis e Carla Zambelli apagarem seus tweets #FicaMoro.

E já que todo mundo está fazendo suas apostas, eu também vou fazer a minha, e dobrar: Moro vai ser demitido, contra a vontade dele. E não vai levar a vaga do STF. Bolsonaro é rancoroso e já mostrou que a caneta é dele, sempre que pôde, como na vez em que Moro pediu a indicação de Deltan Dallagnol pra PGR, e não levou. 

Se isso se concretizar, Moro vai entrar pra história como um dos maiores exemplos de justiça. Não a justiça da espada e da balança, é claro. Dessa ele vai ser para sempre expurgado e entrará para o Museu da Vergonha como exemplo de como um juiz não deve ser. Mas de justiça divina: aqui se faz, aqui se paga. 

É minha aposta. Que rolem os dados.

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