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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Não existe vida além de Lula e Flávio em 2026

A fotografia da Quaest é incômoda para qualquer aspirante à terceira via

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação)

O governador Ratinho Junior (PSD-PR) avisou ao PL nesta quarta-feira (11), em Brasília, que vai manter de pé seu projeto presidencial. O problema para ele é que a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada no mesmo dia, mostra um cenário quase sem oxigênio fora da polarização: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno testados e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o único nome que realmente encosta nele.

A fotografia da Quaest é incômoda para qualquer aspirante à terceira via. Lula aparece entre 36% e 39% nas simulações de primeiro turno, enquanto Flávio varia de 30% a 35%. Em cinco dos sete cenários, os dois estão em empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. Já os demais nomes seguem muito atrás, sem densidade para romper o duelo central.

Ratinho até entra na quadra nacional, mas em faixa modesta. Nos cenários divulgados, o governador do Paraná marca até 7%, muito abaixo de Lula e também longe de Flávio. Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO), Eduardo Leite (PSD-RS), Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão) também ficam em patamares baixos. A consequência política é direta: existem candidaturas, mas não existe hoje um terceiro campo competitivo.

O segundo turno aperta ainda mais esse diagnóstico. Flávio é o único adversário que alcança Lula em empate numérico, 41% a 41%. Contra Ratinho, o presidente vence por 42% a 33%. Contra Zema, faz 44% a 34%. Diante de Caiado, 44% a 32%. Contra Eduardo Leite, 42% a 26%. Esse bloco de números ajuda a explicar por que a pretensão presidencial de Ratinho, embora real e agora reafirmada ao PL, esbarra num teto político muito baixo neste momento.

Há ainda um dado de fundo que trava a chamada alternativa de centro. Lula e Flávio concentram também as maiores taxas de rejeição, 56% e 55%, respectivamente. Em tese, isso abriria espaço para um nome novo. Na prática, até aqui, ninguém conseguiu converter o desgaste dos polos em voto suficiente para sair do rodapé. O eleitor parece dividido, cansado e, ainda assim, preso aos dois campos que organizam a disputa nacional desde 2018.

Ratinho tenta vender sua candidatura como “alternativa”, não como terceira via. Foi o que ele próprio disse nesta segunda-feira (9), ao reagir a outra rodada de pesquisas e sustentar que o PSD buscaria oferecer um caminho diferente ao país. O movimento agora ganhou forma mais concreta com o recado transmitido ao PL em Brasília. Só que uma coisa é a vontade do candidato; outra, bem diferente, é a existência de margem eleitoral para sustentar esse salto.

No caso do Paraná, a decisão de Ratinho produz um efeito colateral imediato. Ao insistir na corrida ao Planalto, ele deixa o PL mais livre para montar palanque próprio no estado, inclusive com Sergio Moro (União-PR) orbitando o projeto de Flávio Bolsonaro, como o Blog do Esmael mostrou mais cedo. Ou seja, a candidatura presidencial de Ratinho não apenas enfrenta baixa tração nacional, como também pode embaralhar a sucessão estadual e facilitar um arranjo bolsonarista alternativo no Paraná.

A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 6 e 9 de março, em entrevistas presenciais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05809/2026.

O recado da pesquisa desta quarta-feira (11) é mais duro do que parece. Ratinho pode até querer entrar na pista presidencial, e entrou, mas a Quaest diz que a avenida segue ocupada por dois sobrenomes. Neste instante, não existe vida além de Lula e Flávio em 2026. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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