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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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O Agente Secreto e Wagner Moura: o Brasil no Oscar!

Reconhecimento internacional reafirma a força do cinema brasileiro ao transformar memória histórica em criação artística contemporânea

Cena do filme O Agente Secreto (Foto: Victor Jucá/Divulgação)

A inclusão do filme “O Agente Secreto” e do ator Wagner Moura na lista dos candidatos ao Oscar são expressões contemporâneas fortes do mais expressivo da cultura brasileira hoje.

No ano passado, Fernanda Torres se deu conta de que se instala no país um clima de Copa do Mundo, queira-se ou não. É o Brasil que se projeta nesses dois filmes, as mais importantes expressões culturais contemporâneas do nosso país.

Se já não somos mais o país do futebol – pelo menos o melhor do mundo, que já não somos –, podemos ser o país do cinema, da cultura. Já superam um milhão e meio os espectadores de “O Agente Secreto” no Brasil. Ainda é pouco, mas já uma cifra que expressa como as pessoas se mobilizam para ir ao cinema ver o filme, quando se sentem concernidas por filmes brasileiros.

Não por acaso, os dois filmes contemporâneos mais importantes do país – “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” – se passam durante a ditadura militar, esse passado que não passa.

As pessoas veem os dois filmes não como ocorrendo em um passado distante – do golpe já são mais de 60 anos! –, mas como filmes contemporâneos. Seja porque os fenômenos dos 21 anos da ditadura militar – a mais longa da América Latina –, seja porque, mais recentemente – o fatídico 8/1 –, próceres – quase todos presos atualmente – tentaram reinstalar uma ditadura no Brasil.

Mas é a criatividade dos dois filmes que permite que os espectadores os assistam como algo nosso, contemporâneo. A criatividade dos dois diretores e a atuação dos artistas.

Essa é uma das funções da arte, do cinema, nesse caso: permitir que as pessoas compreendam as múltiplas dimensões da história que vivem, que sofrem ou que lhes são contadas.

Nesse caso, diretores e artistas nos fazem chegar vivências, de forma artística, da nossa própria história. Uma das funções da cultura nacional.

Um grande diretor, um grande ator, um grande filme – “O Agente Secreto”, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho. Três grandes expressões da cultura brasileira.

Sempre que o país vai bem, o cinema brasileiro vai bem. Assim foi no governo de Jango e no surgimento do Cinema Novo: Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Cacá Diegues, entre tantos outros.

Pernambuco consagrado junto com o filme, pelo diretor, pelos atores, pelo cenário. O cinema pernambucano, do Nordeste, fora do Centro-Sul, a região mais rica e que produz a maior quantidade de filmes.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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