O bedel do STF
Fachin jogou gasolina na fogueira
O presidente do STF, Edson Fachin, não poderia ter escolhido um momento nem o modo piores de encaminhar o tal “código de conduta” alemão.
O momento não poderia ser pior porque o Supremo está sob ataque das forças reacionárias que ainda resistem a reconhecer ter havido uma tentativa de golpe de estado em 2022 e as punições, efetivadas rigorosamente dentro do ordenamento jurídico brasileiro, serem justas e irrevogáveis.
Num ano de eleições, é como jogar gasolina na fogueira.
Alia-se, assim, ao bloco bolsonarista cujo maior objetivo é jogar contra a opinião pública os ministros que votaram pela condenação daquele que colocou em risco a redemocratização alcançada com o fim da ditadura de 1964.
Alia-se, sem querer querendo, ao projeto explícito que preconiza eleger, em 2026, a maioria de senadores dispostos a derrubar, sem justa causa, seus colegas de toga.
O modo que escolheu também não poderia ser menos inadequado. Em vez de discutir a questão internamente, entre quatro paredes, e só divulgá-la caso a corte chegasse a um consenso, resolveu colocar a carruagem na frente dos cavalos, expondo seus colegas à sanha das redes sociais: se há necessidade de um “código de conduta” é sinal de que eles não estão se comportando bem.
Fachin vai entrar para a história não como presidente, mas como bedel do STF.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



